Mercado de defensivos agrícolas para milho safrinha atinge recorde de R$ 15,4 bilhões em 2025/26

O mercado de defensivos agrícolas para o milho segunda safra (safrinha) registrou um crescimento de 13% na temporada 2025/26, movimentando R$ 15,4 bilhões, o maior valor da série histórica da consultoria Kynetec Brasil. O montante supera os R$ 13,7 bilhões da safra anterior.

Em dólar, as transações somaram US$ 2,86 bilhões, alta de 18%, influenciadas pela valorização média de 5% do real frente ao dólar no período, com a taxa média caindo de R$ 5,67 para R$ 5,41.

Segundo Millôr Mondini, especialista em pesquisas da Kynetec, o resultado reverte a retração de 7% observada em 2025. “O produtor não plantou mais milho em 2026. Ele tratou mais o milho que plantou”, explica. O crescimento veio do aumento da intensidade de manejo: a área cultivada variou apenas 1%, para 17,4 milhões de hectares, mas o número médio de tratamentos subiu de 17,7 para 19,1, elevando a área potencial tratada (PAT) em 8%, para 425 milhões de hectares.

O custo médio por tratamento passou de R$ 43,10 para R$ 44,90 por hectare, após queda de 13% em 2025. O investimento total por hectare saltou de R$ 794 para R$ 887, puxado pelo Matopiba (MA, PI, TO, PA) e Mato Grosso.

Desempenho por categoria

Os inseticidas lideraram o ranking, com 39% de participação (R$ 6,01 bilhões) e crescimento de 16%. Os fungicidas ficaram em segundo, com 21% (R$ 3,3 bilhões, +13%), seguidos pelos herbicidas, com 20% (R$ 3,12 bilhões, +15%). Os nematicidas, com 5% (R$ 712 milhões), tiveram o maior crescimento relativo: 34%.

O controle de lagartas foi o principal motor dos inseticidas, respondendo por 43% do valor investido (R$ 2,6 bilhões), alta de 58% ante 32% na safrinha anterior. A adoção de inseticidas para lagartas cobriu 92% da área cultivada. “A proteção das biotecnologias de última geração não sustenta mais o controle de lagartas. O tratamento foliar tornou-se rotina”, avaliou Mondini.

Nos fungicidas, os produtos premium representaram 58% do total (R$ 1,92 bilhão), com avanço de 39% e adoção em 63% dos cultivos (ante 50% em 2025). Já os herbicidas de amplo espectro saltaram de 31% para 44% de adoção, refletindo a dificuldade de controle de gramíneas como capim-pé-de-galinha e capim-amargoso.

Os nematicidas atingiram 51% de adoção (ante 44% em 2025), impulsionados por produtos biológicos. Esse segmento movimentou R$ 1,41 bilhão (+8%), mas sua participação no mercado total caiu de 9,5% para 9,1%. “Nematicidas ocupam 45% do mercado de biológicos para milho na segunda safra”, destacou Mondini.

Considerando as duas safras (verão e safrinha), o mercado brasileiro de defensivos para milho totalizou R$ 18,3 bilhões em 2026, alta de 13%. A segunda safra respondeu por 84% desse montante.

O levantamento da Kynetec foi baseado em quase 2,3 mil entrevistas presenciais com produtores e gestores em toda a fronteira agrícola do milho segunda safra, cobrindo 17,4 milhões de hectares (95% da área oficial), com margem de erro de 2,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

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