Mercado de insumos agrícolas deve crescer em 2027 com margens mais estáveis, projeta Rabobank

O mercado brasileiro de fertilizantes e defensivos deve crescer em 2027, apesar das incertezas no cenário global e no agronegócio nacional. A avaliação é do Rabobank, que atualizou as projeções para o setor nesta quarta-feira (4/11).

Segundo o banco, a entrega de fertilizantes deve aumentar 5%, passando de 44,42 milhões para 46,64 milhões de toneladas. Já o mercado de defensivos deve ter uma expansão de 2,7% na receita em dólares, de US$ 20,4 bilhões para US$ 20,9 bilhões.

“A queda na entrega este ano é bastante expressiva porque o ano passado foi recorde. Mas, para o ano que vem, a gente coloca uma perspectiva de aumento. Nos defensivos, a perspectiva é de crescimento para o ano que vem”, disse o analista de mercado de insumos Bruno Fonseca.

Margens e custos do produtor

Fonseca lembrou que o ciclo atual é de margens mais apertadas para o produtor rural. No entanto, a tendência é de estabilização, o que pode favorecer investimentos em adubação e iniciar um período de melhora no segmento. “O setor de insumos passou por um momento apertado por causa das margens. Com uma estabilização dessas margens, deve haver alguma melhora e, a partir de 2028, o mercado também deve ter uma melhora de forma geral”, disse.

Ele pontuou, porém, que os produtores ainda enfrentam situação financeira desfavorável, com elevado endividamento e aumento de custos de produção. A receita da atividade dependerá de uma combinação dos resultados de soja e milho. “A margem não é o principal problema do produtor hoje, mas o custo financeiro”, destacou.

Nitrogenados, fosfatados e sementes

Fonseca lembrou que a guerra no Oriente Médio levou a uma disparada dos preços de fertilizantes. Posteriormente, as cotações voltaram a patamares que refletiam mais a realidade dos fundamentos de mercado. Ainda assim, 2026 termina com queda no volume de importação de nitrogenados, o que pode trazer riscos para culturas como milho de segunda safra e cana-de-açúcar.

“A importação de nitrogenados está 25% atrasada em relação ao ano passado e não acredito que a gente vai conseguir tirar esse atraso”, alertou.

Os preços de fosfatados devem se manter elevados por mais 12 a 18 meses. “O custo vai permanecer alto e vai impactar a importação de fertilizantes no Brasil. É provável que o produtor continue usando estoque de solo, mas, eventualmente, ele vai precisar utilizar de novo”, disse.

Para o segmento de sementes, a expectativa do Rabobank também é de recuperação no ano que vem, depois de uma melhora das condições de mercado já neste ano.

Deixe um comentário

Powered by Joinchat
Anunciar grátis