Mikami Agrobusiness verticaliza cadeia de hortaliças e agrega valor com produção própria e venda direta

Para eliminar a dependência de intermediários, a Mikami Agrobusiness, de Louveira (SP), adotou um modelo diferente do tradicional para os produtores de hortifrútis. A empresa verticalizou praticamente toda a cadeia de produção, com parcerias para a distribuição de insumos e sementes, até a venda direta ao consumidor em hortifrútis e restaurante próprios.

Segundo o proprietário Ricardo Mikami, a estratégia foi construída ao longo de três gerações de produtores e permitiu à empresa ganhar maior controle sobre a qualidade e a comercialização dos produtos. “Pegamos todos os elos da cadeia produtiva das hortaliças. Produzimos, comercializamos em nosso próprio hortimercado e ainda temos o restaurante, onde o consumidor pode encontrar os produtos que cultivamos”, afirma.

Hoje, a propriedade trabalha com cerca de 70 itens diferentes, entre alfaces, repolho, brócolis, alho-poró, salsão e morango, produzidos nos 40 mil m² de área cultivada. Aproximadamente 97% da produção é destinada aos canais próprios de venda, como a Quitanda QMaria, em Vinhedo (SP), nome em homenagem a mãe de Ricardo. O modelo permite agregar valor ao produto final, apoiado em rastreabilidade, certificações, análises microbiológicas e comunicação direta com os consumidores. “Não vendemos apenas uma alface. Mostramos como ela é produzida, a qualidade da água utilizada, os acompanhamentos técnicos e todo o processo envolvido”, explica Mikami.

A busca por qualidade e regularidade também levou a empresa a investir em cultivo protegido. A produção de tomate, carro-chefe da empresa, que começou a campo aberto nas gerações anteriores, migrou gradualmente para estufas. Hoje a Mikami produz 180 toneladas de tomate italiano todo ano. “O cliente quer o produto independentemente de estar chovendo ou fazendo frio. A estufa reduz as variáveis de produção, protege contra chuva, granizo e excesso de sol, permitindo maior previsibilidade e qualidade”, destaca.

Para manter essa regularidade, a empresa trabalha com um planejamento escalonado da produção. Segundo o gerente de produção, Juliano Godoi, novos lotes de tomate são implantados a cada 20 dias. “Temos oito setores de tomate em diferentes estágios de desenvolvimento para evitar qualquer ruptura no abastecimento”, afirma. Além do planejamento, a escolha das variedades também é estratégica. Godoi explica que a empresa testa constantemente novos materiais, buscando unir produtividade, resistência e aceitação pelo consumidor. Parte desse resultado está associada à cultivar Strongton, da Basf, atualmente utilizada em toda a produção de tomate italiano da empresa.

Rafael Massafera, representante técnico de vendas da Basf, destaca que a escolha da cultivar levou em consideração não apenas a produtividade, mas também a qualidade percebida pelo consumidor final. “Como eles acompanham toda a cadeia, conseguem enxergar o que acontece dentro da estufa e também na gôndola. O material trouxe produtividade, resistência e qualidade comercial, que é o que o cliente procura”, afirma.

Outro desafio constante da horticultura é o manejo fitossanitário. A engenheira agrônoma Débora Yuassa explica que a mosca-branca está entre as principais ameaças à produção. Por ser uma praga polífaga, o inseto está presente durante todo o ano e pode causar prejuízos tanto pela sucção da seiva quanto pela transmissão de vírus que reduzem a produtividade das plantas. “A mosca-branca pode comprometer o desenvolvimento da cultura e ainda prejudicar a qualidade dos frutos por favorecer o aparecimento de fumagina, um fungo que escurece a superfície dos produtos”, explica.

Para enfrentar o problema, a propriedade realiza monitoramento semanal das áreas cultivadas. A partir dos levantamentos, são definidas as estratégias de manejo, combinando cultivo protegido, rotação de produtos e uso racional de defensivos. O monitoramento ganha ainda mais importância diante das previsões climáticas para os próximos meses. Segundo Débora Yuassa, a possibilidade de um evento de El Niño com temperaturas mais elevadas pode favorecer o desenvolvimento de insetos e pragas e aumentar a pressão sobre as lavouras. “As pragas em geral são muito mais complicadas no verão porque o ciclo delas encurta. Se realmente tivermos um cenário mais quente, teremos um desafio muito grande pela frente”, afirma.

O jornalista viajou a convite da Basf.

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