Ministério defende uso de fontes não tradicionais para turbinar Plano Safra 2026/27

O Ministério da Agricultura admitiu, nesta terça-feira (30/6), que incluiu recursos de fontes não tradicionais do crédito rural para ampliar a abrangência e revigorar o Plano Safra 2026/27. A área técnica da Pasta disse que o processo faz parte do dinamismo e da evolução do mercado de financiamento agrícola e defendeu que todos os valores têm intervenção pública para chegar ao produtor.

Mais cedo, a reportagem mostrou que o ministério inflou o Plano Safra com R$ 38,5 bilhões de recursos do Move Agricultura, linha para compra de máquinas com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) operado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e do Ecoinvest, leilão que mobilizou capital privado interno e externo para a recuperação de pastagens degradadas.

A engenharia inédita garantiu o novo valor recorde do Plano Safra 2026/27 com fontes não usuais e programas independentes. As operações feitas com esses recursos não seguem o padrão e as regras do crédito rural e não são protegidas pelas condições do Manual de Crédito Rural (MCR) em termos de prorrogação e renegociação, por exemplo.

“Esses dois itens nos dão essa oportunidade, de revigoramento do Plano Safra e de ter uma ação assertiva de disponibilização de recursos ao produtor rural”, afirmou o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos.

O secretário-adjunto de Política Agrícola, Wilson Vaz, disse que a inclusão desses recursos faz parte de um processo evolutivo do crédito rural. Ele disse que, inicialmente, o financiamento era feito apenas com recursos orçamentários, depois foram criadas as fontes de originação dos valores, como os direcionamentos de poupança rural e depósitos à vista, os títulos e fundos.

“É um processo evolutivo. As fontes se exaurem também. Tudo vai do ânimo do mercado, dessa vez conseguimos [aumentar a disponibilidade] com esses recursos viabilizados”, disse na coletiva. “Não quer dizer que ficará por aí. Outras fontes podem ser viabilizadas. Todas têm intervenção pública para chegar ao produtor. Podemos identificar novas fontes que possam se somar à agricultura brasileira”, concluiu Vaz.

“Realmente, é uma novidade muito bem-vinda para fortalecer ainda mais a agricultura. O Move Agricultura, com R$ 10 bilhões sendo colocados, é um número muito expressivo, e não conseguimos manter o Plano Safra com as fontes disponíveis com essa abrangência”, completou o secretário Guilherme Campos.

Ele ressaltou que será publicada uma medida provisória para criar a linha do Move Agricultura, com a possibilidade de acesso aos recursos também por pessoas físicas. “Como tem origem na Finep, focado em pessoa jurídica, havia necessidade de adequação legal, para que pessoas físicas pudessem acessar. Por isso, a necessidade da MP para dar oportunidade de chegar com equipamentos ao produtor rural pessoa física. É uma grande questão que foi resolvida”, completou.

Campos explicou ainda que o Ecoinvest tem participação do governo com aporte de recursos para alavancagem de recursos privados e impacto menor no orçamento.

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