Por Rafael Walendorff — Brasília
24/08/2026 05h04
Técnicos da União Europeia chegaram ao Brasil para uma missão de duas semanas que vai avaliar o sistema de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. O objetivo principal é verificar o cumprimento das regras sobre o uso de antimicrobianos nessas cadeias produtivas, o que pode influenciar a continuidade das exportações brasileiras ao bloco europeu.
A missão ocorre em um momento crítico: em 3 de setembro está prevista a entrada em vigor do bloqueio às exportações de carnes de aves, bovina, mel e pescados. Em maio, a UE retirou o Brasil da lista de exportadores aptos a enviar produtos de origem animal, alegando que o país não comprovou o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.
No setor de aves, a expectativa é positiva. Fontes ouvidas sob reserva afirmam que os técnicos europeus poderão constatar que as empresas já praticam a segregação de animais destinados ao mercado europeu e não utilizam antimicrobianos como promotores de crescimento. O retorno à lista de exportadores, no entanto, é uma decisão exclusiva dos europeus e pode levar a uma interrupção temporária das vendas.
As equipes oficiais nos frigoríficos já foram orientadas a não certificar, a partir de 3 de setembro, produtos que não estejam em conformidade com os requisitos europeus. A decisão sobre a volta do Brasil à lista cabe ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff) da Comissão Europeia, cujo próximo encontro ordinário está agendado para novembro, embora reuniões extraordinárias sejam possíveis.
Em 2026, o Brasil exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a UE, gerando receita de quase US$ 680 milhões. Em julho, os embarques somaram 36,8 mil toneladas e US$ 104,2 milhões, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura.
Os técnicos europeus iniciaram as reuniões com o Ministério da Agricultura em Brasília nesta segunda-feira (24/8) e seguirão para visitas a quatro empresas de carnes de aves habilitadas a exportar para a UE, localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Também serão analisados apiários paranaenses e uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo, além de agências estaduais de defesa agropecuária. A missão se encerra em 4 de setembro, com uma reunião de conclusão em Brasília.