Armadores já encomendaram 336 navios que poderão ser movidos a metanol ou etanol, o que deve representar uma demanda de 15 a 20 bilhões de litros de biocombustível até 2030, quando as embarcações ficarão prontas. O dado foi apresentado por Flavio Mathuyi, coordenador de Temas Ambientais da Comissão Coordenadora para os Assuntos da IMO (CCA-IMO), durante evento do site Novacana.
As embarcações foram projetadas para operar com metanol, mas também podem ser adaptadas para usar etanol com apenas algumas alterações em bicos injetores e no software de controle. Segundo Mathuyi, o etanol apresenta vantagens em relação ao metanol, como menor custo de aquisição, maior disponibilidade e melhores requisitos de segurança.
“O transporte marítimo está caminhando para a transição energética. A transição energética já está acontecendo. A velocidade vai depender da medida que deve ser aprovada em dezembro”, afirmou Mathuyi, referindo-se a regulamentações da IMO.
O coordenador destacou que os portos brasileiros já possuem infraestrutura de tancagem pronta para garantir oferta de etanol para navios que queiram abastecer na costa. Testes já foram realizados: a Maersk utilizou 100% etanol em um navio bicombustível no Porto de Roterdã; a CMA CGM carregou um navio no Porto de Santos com etanol; e a Vale já começou a encomendar navios movidos exclusivamente a etanol.
A perspectiva de crescimento da demanda por etanol no setor naval reforça o papel do biocombustível na descarbonização do transporte marítimo, abrindo novas oportunidades para o mercado brasileiro de etanol.