A nona edição do Prêmio Mulheres do Agro, promovido pela Bayer e pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), celebrou nesta quarta-feira (26) em São Paulo o protagonismo feminino no setor. Com 394 inscrições de produtoras — 10% a mais que no ano anterior — o evento destacou iniciativas que unem inovação, sustentabilidade e ciência no agronegócio brasileiro.
Participação crescente e reconhecimento
Segundo Gislaine Balbinot, diretora-executiva da Abag, a premiação reuniu cerca de 300 pessoas presencialmente entre convidadas, premiadas, familiares e jornalistas. A programação contou com dois painéis sobre tecnologia e transição energética, além da apresentação de Cátia Fonseca e da participação do poeta Bráulio Bessa, que declamou um poema exclusivo para a ocasião.
Marcio Santos, CEO da Bayer Brasil, destacou que as mulheres já representam um terço das propriedades rurais no país. “É um legado construído cotidianamente, com muita garra. É o agro do agro e precisa ser visto”, afirmou. Já Francila Calica, diretora de Assuntos Agrícolas da Bayer e vice-presidente da Abag, lembrou que no início da premiação muitas mulheres tinham dificuldade de se inscrever por não reconhecerem seu próprio protagonismo. “Hoje elas já sabem de suas forças”, comemorou.
Como funciona o prêmio
Gabriela Gandelini, gerente de Regulamentação em Assuntos Científicos da Bayer no Brasil, explicou à Globo Rural que as inscrições são voluntárias e as candidatas precisam comprovar a posse da propriedade, contar suas histórias e descrever práticas sustentáveis. Uma banca externa à Bayer e à Abag avalia as candidaturas, classificando-as por tamanho de propriedade (pequena, média e grande), independentemente da cultura ou região.
Na categoria Ciência e Pesquisa, criada em 2023, a avaliação considera o currículo, o propósito da pesquisa e seu impacto na sustentabilidade do agro. Três finalistas são selecionadas por uma banca externa e passam por votação popular — este ano com 40 mil votos. “Para as produtoras implementarem práticas sustentáveis, precisam de inovação; para inovar, ciência”, destacou Gandelini.
Vencedoras da edição 2026
Ciência e Pesquisa
- Erika Valente, professora da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UAG) e pesquisadora em biodiversidade e crescimento do solo.
Produtora Rural — Pequena Propriedade
- Ana Klinke (melhoramento genético, agricultura regenerativa, compostagem e conservação de nascentes)
- Roseilda Duarte (gestora do Sítio Bebedouro, referência em agricultura orgânica urbana)
- Rosiane Almeida (gestão moderna na cafeicultura)
Produtora Rural — Média Propriedade
- Kátia Rodrigues (melhoramento genético, agricultura regenerativa, compostagem e conservação de nascentes)
- Suzana Viccini (agricultura de precisão e cofundadora do Núcleo de Mulheres do Agro do Oeste da Bahia)
- Sheilane Magalhães (produção leiteira e queijaria artesanal)
Produtora Rural — Grande Propriedade
- Aline Vick (economista, práticas de gestão, tecnologia e agricultura regenerativa em Pirassununga/SP)
- Karina Seibt (café com excelência, rastreabilidade e práticas regenerativas)
- Elisabete Kim (reestruturação operacional)
Premiações e reconhecimento
As vencedoras recebem troféu, despesas pagas no evento, kit do prêmio, acesso a sessões exclusivas e convite para o Congresso Brasileiro do Agronegócio. As primeiras colocadas nas categorias de Produtora Rural participam ainda de viagem técnica. Na categoria Ciência e Pesquisa, a vencedora ganha R$ 20 mil para a instituição à qual é vinculada, destinados a projetos de pesquisa.
Desde sua criação, 85 mulheres já foram reconhecidas pelo prêmio, que se consolida como uma vitrine do protagonismo feminino no agronegócio nacional.