O agronegócio brasileiro registrou no primeiro trimestre de 2026 a menor participação no mercado de trabalho desde o início da série histórica, em 2012. Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), os trabalhadores do setor representaram 25,73% da população ocupada no país. O índice também ficou abaixo do registrado no último trimestre de 2025 (26,03%).
O número total de pessoas empregadas no agronegócio somou 27,79 milhões nos três primeiros meses do ano, uma redução de 1% (267,3 mil trabalhadores) frente ao mesmo período de 2025. Esse é o menor contingente para um primeiro trimestre desde 2023. A queda acompanhou a retração geral do mercado de trabalho brasileiro, que apresentou taxa de desocupação de 6,1% no período, conforme dados da PNAD Contínua (IBGE).
A diminuição foi puxada pelo segmento de agrosserviços, que perdeu 307,99 mil empregos (-2,9%), seguido pelas agroindústrias (-148,5 mil, -3,1%) e pelos insumos (-3,7 mil, -1,2%). Por outro lado, o segmento primário (produção agropecuária) registrou crescimento de 2,5%, com acréscimo de 189,98 mil trabalhadores, o que atenuou parcialmente a retração total.
Em relação à categoria de vínculo, houve quedas entre empregados sem carteira assinada (-3,6%), com carteira (-1,2%), empregadores (-5,2%) e trabalhadores familiares auxiliares (-5,0%). Já os trabalhadores por conta própria cresceram 1,8% (aproximadamente 120,2 mil pessoas).
O nível de escolaridade também apresentou mudanças: reduziu-se o número de trabalhadores sem instrução (-1,4%), com ensino fundamental (-1,9%) e com ensino médio (-1,1%). Em contrapartida, o contingente com ensino superior aumentou 1,6% (+72,9 mil pessoas), indicando a continuidade do processo de elevação da escolaridade média da força de trabalho rural.
Quanto ao gênero, o número de homens ocupados no agronegócio caiu 1,2% (203,4 mil), enquanto o de mulheres recuou 0,5% (63,9 mil).