Pastoreio de ovelhas na infância levou goleiro do Irã a quebrar recordes mundiais

O nome do goleiro iraniano Alireza Beiranvand ganhou destaque mundial após sua atuação decisiva contra a Bélgica na segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Com sete defesas importantes, ele manteve o placar zerado em Los Angeles e foi eleito o melhor jogador da partida pela Fifa. Mas a história do arqueiro de 33 anos vai muito além do que fez embaixo da trave — ela está profundamente ligada ao ambiente rural.

Beiranvand cresceu em uma família nômade na província de Lorestan, no oeste do Irã, ajudando no pastoreio de ovelhas. Por ser o filho mais velho, tinha mais responsabilidades no cuidado com os animais e precisava acompanhar os pais nas constantes mudanças em busca de novas áreas de pastagem. “Nós nos mudávamos com frequência de uma aldeia para outra para criar nossas ovelhas, garantindo que elas não se afastassem e nem fossem roubadas”, relembrou o goleiro em entrevistas a jornais iranianos.

Apesar de acostumado à rotina no campo, ele sonhava com um futuro diferente. Enquanto o pai queria que o filho seguisse a tradição no pastoreio, o jovem almejava o futebol. Quando a família se estabeleceu em uma cidade da região, Beiranvand ingressou em um clube local, mas o pai descobriu e, num acesso de raiva, rasgou suas luvas. Sem dinheiro para comprar outro par, o goleiro pegou dinheiro emprestado, fugiu de casa e embarcou em um ônibus rumo a Teerã. Os primeiros meses na capital foram difíceis: ele dormiu na rua, enfrentou o frio e realizou pequenas atividades em troca de comida e abrigo.

Já consolidado como goleiro profissional, Beiranvand percebeu que uma habilidade desenvolvida no trabalho com as ovelhas se tornou um diferencial: o costume de arremessar pedras pesadas a longas distâncias para proteger o rebanho ajudou a desenvolver força nos braços, permitindo lançamentos que atravessavam o gramado. Essa característica o levou ao Guinness World Records. Em 11 de outubro de 2016, no duelo entre Irã e Coreia do Sul, ele conseguiu um arremesso com a mão de 61,0026 metros, o mais longo já feito por um goleiro em uma partida oficial. Outro recorde veio em 17 de abril de 2019: o chute de drop mais longo do futebol, com 78,02 metros.

Na Copa do Mundo de 2026, sob o comando do técnico Amir Ghalenoei, a seleção iraniana busca um feito inédito: avançar ao mata-mata. O objetivo escapou nas participações anteriores. O time enfrenta o Egito na última rodada do Grupo G — se vencer, termina na liderança da chave e avança para enfrentar um dos melhores terceiros colocados. Caso termine em segundo, o adversário será a Austrália.

“Eu era o mais velho, então tive que assumir o legado do meu pai, mas eu queria mesmo jogar bola. Um dia, meu pai descobriu e, num acesso de raiva, rasgou as luvas.”

A trajetória de Beiranvand é um exemplo de como as vivências no campo podem moldar habilidades únicas, provando que a vida na fazenda pode ser o alicerce para grandes conquistas esportivas.

Deixe um comentário

Anunciar grátis