A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) manifestou preocupação apesar do anúncio do Ministério da Agricultura sobre a disponibilização de mais de 3,1 milhões de doses de vacinas contra clostridioses no mercado brasileiro, feito em 15 de junho. Em comunicado, a entidade reconhece a importância da medida para ampliar a oferta, mas relata que os pecuaristas ainda enfrentam dificuldades para acessar as doses, que chegam de forma limitada e com preços elevados.
O problema com a oferta dos medicamentos começou no ano passado, após relatos de mortes em animais que utilizaram a vacina. A Comissão de Pecuária de Corte da Famato acompanha a situação e mantém diálogo com a indústria, entidades do setor e órgãos governamentais para minimizar os impactos da escassez. A vacina previne doenças infecciosas graves como botulismo, tétano, carbúnculo sintomático e gangrena gasosa.
O coordenador da Comissão de Pecuária de Corte da Famato, Amarildo Merotti, destacou que a liberação nacional de mais de 3 milhões de doses é positiva, mas ainda não resolve os problemas na ponta. “Observamos no campo que as vacinas ainda chegam em volumes reduzidos às revendas. Existem muitos pedidos pendentes e a demanda continua elevada. O pecuarista precisa ter acesso ao produto para manter o calendário sanitário do rebanho”, afirmou.
Merotti acrescenta que o abastecimento ainda ocorre de forma gradual, inclusive em Mato Grosso, com lotes insuficientes para atender toda a procura acumulada. Outra preocupação é o aumento expressivo dos preços das vacinas nos últimos meses, que praticamente dobraram em algumas regiões, elevando os custos dos produtores.
No anúncio de 15 de junho, o Ministério da Agricultura reiterou que atua com agentes do setor para “estimular a ampliação da produção nacional, viabilizar importações e agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação de vacinas”.