Uma expedição científica da SOS Mata Atlântica em parceria com quatro universidades identificou 25 tipos de agrotóxicos ao longo do Rio Tietê e seus afluentes. As amostras foram coletadas em 14 pontos, da nascente em Salesópolis até a foz em Itapura, durante cinco dias em 2025. Os resultados mostram que, apesar de investimentos como o programa Integra Tietê, a contaminação persiste.
Origens da contaminação
Segundo o biólogo Cesar Pegoraro, da SOS Mata Atlântica, a principal fonte são as lavouras de cana-de-açúcar e soja no interior paulista. Em áreas urbanas, produtos domésticos e herbicidas usados no controle da vegetação também contribuem. A falta de curvas de nível nas lavouras mecanizadas e a ausência de mata ciliar agravam o transporte de substâncias via lixiviação e escoamento superficial.
Destaque para a atrazina
Entre os compostos, a atrazina chamou atenção: proibida na União Europeia desde 2004, apareceu em concentrações até 25 vezes superiores ao valor máximo permitido pela legislação brasileira (2,0 µg/L). O herbicida é amplamente usado no Brasil para controlar ervas daninhas.
Gargalos na classificação da água
O trecho entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita apresentou o maior nível de contaminação. A água entra como “ótima” e sai “regular” pelo Índice de Qualidade da Água (IQA), que não considera agrotóxicos nem fármacos. Isso mascara os riscos para abastecimento público e irrigação.