A Petrobras está retomando a construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), que foi suspensa em 2014. Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (24/6), a obra estava 85% pronta quando foi pausada e deve ser retomada ainda este ano.
“Estamos retomando obras e construções que nos comprometemos no passado. Elas se tornaram inviáveis em algum momento, mas agora as condições mudaram e nos permitiram retomar. A UFN III tem investimentos de pouco mais de R$ 5 bilhões”, disse Chambriard.
Segundo a companhia, a UFN III vai atender 15% da demanda de ureia no Brasil. Somada às demais unidades de fertilizantes da Petrobras, como Ansa, Fafen Bahia e Fafen Sergipe, a companhia irá atender a 35% da demanda de fertilizantes nitrogenados do país.
Nesta quinta-feira (25/6), a Petrobras assina os contratos de empresas vencedoras das licitações para finalizar as obras da unidade, em evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A presidente da Petrobras anunciou ainda um estudo para duplicar a capacidade de todas as unidades de fertilizantes da companhia. Segundo ela, um país conhecido pelo mercado do agronegócio como o Brasil não deveria contar com a importação de fertilizantes.
“Os estudos consideram ampliar o portfólio de parque fabril nas mesma localidades onde as fábricas já estão, para aproveitarmos a logística implantada e compartilhar custos. Isso é importante também para fidelizar a demanda”, disse a executiva.
“Daqui a 50 anos, o pré-sal se tornará um grande reservatório de gás. É natural que a Petrobras busque ampliar o mercado de gás. Fertilizante é gás na veia”, afirmou.
A UFN III deve consumir 2,2 milhões de metros cúbicos por dia de gás e está na área de cobertura do gasoduto Brasil-Bolívia, da TBG, segundo a Petrobras.
O gerente da área de fertilizantes da Petrobras, Felipe Jorge, disse que a análise da companhia busca potencializar os ativos atuais com os equipamentos existentes. Ainda não se sabe a que capacidade se deve chegar com as duplicações ou quais produtos serão expandidos, segundo os executivos, que ainda aguardam os resultados dos estudos.
“A possível inclusão no plano de negócios ainda depende do quanto as análises vão avançar. O tamanho da ampliação também está em análise”, disse.