Plano Safra 2026/27 é criticado por setor agropecuário devido a lacunas em endividamento e seguro rural

O governo federal divulgou nesta terça-feira (30/6) o Plano Safra da Agricultura Empresarial 2026/27, com R$ 525,1 bilhões em crédito rural e redução de juros de até 1,5 ponto percentual. No entanto, representantes do setor apontam falhas importantes.

“Ainda temos taxas de juros elevadas. Enxergamos dificuldade de o produtor investir a essas taxas, em um cenário de endividamento elevado”, afirmou Leila Harfuch, sócia-gerente da Agroicone. Ela reconhece o esforço do governo em reduzir as taxas, mas destaca que o patamar ainda é alto.

Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), o aumento de R$ 9 bilhões em recursos em relação ao ciclo anterior está longe de responder aos desafios. A entidade critica a falta de medidas concretas para enfrentar o crescente endividamento do setor e a cobertura limitada do seguro rural, que deixa os produtores expostos a riscos climáticos.

O Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, também manifestou preocupação. “De nada adianta divulgar um Plano Safra com valor recorde se não há mecanismos para que isso se transforme em investimentos”, disse o presidente Ágide Eduardo Meneguette.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) alerta que, apesar do montante recorde nominal, houve redução real de cerca de R$ 13,6 bilhões quando descontada a inflação. A entidade observa que o produtor chega ao novo ciclo com crédito mais caro e seletivo.

Especialistas e entidades cobram prioridade para o seguro rural e soluções para o endividamento, temas que permanecem sem resposta no Plano Safra 2026/27.

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