As tradicionais festas juninas do Nordeste, especialmente em Campina Grande (PB) e Caruaru (PE), estão impulsionando o preço do milho verde em 2026. Apesar das chuvas intensas que afetaram algumas regiões, a oferta do produto se mantém equilibrada, com aumentos de preço previstos dentro do esperado para o período.
Na Paraíba, a produção de milho verde deve crescer 40% neste ano, segundo Gilmaudo Figueiredo, coordenador do núcleo de informação e estatística da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa-PB). Ele explica que, embora as fortes chuvas tenham impactado áreas de baixada e ribeirinhas, a produção total aumentou e a qualidade do milho melhorou.
O preço da mão de milho — cesta com 52 espigas — subiu de R$ 46 no ano passado para entre R$ 50 e R$ 60 este ano. Figueiredo atribui o aumento ao custo dos insumos, especialmente o diesel, impactado pelo conflito entre Irã e Estados Unidos. A Empasa-PB, responsável por 70% do milho vendido na região, projeta comercializar mais de 400 toneladas em 2026, contra 360 toneladas em 2025.
Em Caruaru (PE), a 125 km de Campina Grande, o agricultor Levi Gomes relata perdas de 10% na produção devido à redução das chuvas nos últimos meses. “A chuva começou bem, mas foi perdendo força. Com isso, o milho está secando mais rápido, e algumas roças secaram antes da colheita”, afirma. Apesar dos problemas climáticos, Gomes conseguiu bons resultados financeiros: a espiga subiu de R$ 0,75 para R$ 1,00, chegando a R$ 1,20 em alguns momentos.
Renata Senna, presidente da Central de Abastecimento de Caruaru (Ceaca), confirma que muitos produtores já não tinham milho para vender no dia de São João (24 de junho). A mão de milho teve aumento de 30%, negociada a cerca de R$ 60, mas apenas quem se antecipou nas compras conseguiu esse valor. A tendência é de novos aumentos com a menor oferta.