A oferta restrita de trigo de boa qualidade, devido às chuvas durante a colheita, elevou as cotações do cereal em outubro, cenário reforçado pela valorização do dólar frente ao real, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
No Paraná, o indicador Cepea/Esalq registrou o preço médio de R$ 1.569,82 a tonelada do trigo pão ou melhorador, alta de 1,65% no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul, o trigo brando estava cotado a R$ 1.482,17 a tonelada, avanço de 2,18% ao longo de outubro.
Diante da dificuldade de encontrar matéria-prima adequada no mercado doméstico, agentes de moinhos consultados pelo Ceepa têm recorrido às importações, mesmo com o câmbio desfavorável, e repassado os custos mais elevados aos preços das farinhas.
Em São Paulo, segundo o Sindustrigo, as chuvas ao longo de setembro provocaram perda acentuada de qualidade: estima-se que apenas entre 10% e 15% de todo o trigo colhido possa ser classificado como tipo 1. Na região Sul, agentes de moinhos relatam dificuldade para encontrar trigo com a qualidade necessária à produção de derivados.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 30 de outubro, 66,9% da área cultivada com trigo no Brasil havia sido colhida.