A primavera de 2026 chega com um forte El Niño que promete dividir o Brasil entre chuvas acima da média no Sul e seca no Norte e Nordeste. A estação começa nesta terça-feira (22/9) e vai até 21 de dezembro, com impactos diretos na agropecuária.
Segundo a NOAA, o fenômeno tem 75% de chance de ser o mais intenso já registrado. O meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, explica que o padrão será de um país partido: enquanto o Sul e parte do Sudeste terão precipitação elevada, o Centro-Oeste, Norte e Nordeste sofrerão com déficit hídrico e temperaturas acima da média.
Previsão detalhada por região
Sul: Chuvas podem ultrapassar 1.000 mm, contra uma média de 650 mm. No Rio Grande do Sul e litoral de Santa Catarina, as temperaturas ficam entre a média e abaixo, com possibilidade de massas de ar frio. Já no Paraná e interior catarinense, o calor será mais intenso.
Sudeste: Distribuição irregular. São Paulo, sul de Minas e sul do Rio de Janeiro terão chuva acima da média; Espírito Santo, norte de Minas e norte do Rio de Janeiro acumulam menos de 50 mm. Temperaturas amenas em SP até novembro, com muito calor a partir de dezembro.
Centro-Oeste: Predomínio de tempo seco em Mato Grosso e Goiás, com acumulados abaixo da média. Mato Grosso do Sul terá mais chuva. As temperaturas sobem, com até 2°C acima no norte mato-grossense.
Norte: Chuva abaixo da média, especialmente no Amazonas e Pará. Em Manaus, o acumulado pode ficar em pouco mais de 100 mm, menos da metade do esperado para a estação. As temperaturas podem chegar a 5°C acima do normal nessas áreas.
Nordeste: Repete o padrão de chuva abaixo da média, com risco de estiagem agravado pelo El Niño. Calor acima da média na Bahia, Maranhão e Piauí, com termômetros até 2°C mais altos.
Impactos na agricultura
O El Niño trará efeitos mistos para o campo. No Sul, o excesso de chuva pode atrasar a colheita e causar deslizamentos, mas beneficia culturas de verão e pastagens. No Matopiba, a seca eleva o risco de queimadas e atrasa o plantio de grãos, exceto em áreas irrigadas. Em São Paulo e Minas Gerais, mais chuva e temperaturas amenas favorecem soja e milho; já no Espírito Santo e norte de Minas, o déficit hídrico prejudica as lavouras. Mato Grosso do Sul tem condições favoráveis para a soja, ao contrário de Mato Grosso e Goiás, que enfrentam menos chuva.
A primavera de 2026, portanto, exige atenção redobrada dos produtores, que devem se preparar para cenários opostos dentro do mesmo país.