A consultoria AgResource projeta que a safra brasileira de soja em 2026/27 atinja 184,1 milhões de toneladas, um crescimento de 2% em comparação com a colheita anterior, de 180,5 milhões de toneladas. Apesar do avanço, a estimativa fica cerca de 2 milhões de toneladas abaixo da previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que em agosto apontou uma produção de 186 milhões de toneladas.
Segundo a AgResource, duas premissas explicam a diferença em relação ao USDA. A primeira é a área plantada: sem expansão de área, todo o ganho de 2% vem do aumento de produtividade. A segunda é o clima, diante dos impactos esperados com o El Niño. A consultoria analisou sete safras anteriores com influência do fenômeno (com temperatura 1,0°C ou acima) e constatou que a precipitação de outubro a dezembro ficou 28,2% abaixo da média no Matopiba e 7,5% abaixo no Centro-Oeste, enquanto o Sul registrou 50,7% mais chuvas. Em Mato Grosso, o volume foi de 527 mm contra 615 mm nas demais safras, com 64 dias de chuva em vez de 70, e veranico máximo de 6,0 dias ante 4,9.
“Essa mesma chuva de outubro a dezembro não explica, no histórico, a produtividade colhida nem da soja nem do milho de segunda safra. O atraso de plantio é mensurável. A perda de produtividade que dele decorreria, não”, afirmou a consultoria. Estudo anterior da AgResource mostrou que o El Niño não conteve a expansão da soja no Brasil: a área cresceu nos sete plantios sob eventos fortes analisados em 47 safras. “Se a área não avança em 2026/27, a razão está em margem, custo e crédito, não em El Niño. O que o clima disputa nesta estimativa é apenas produtividade.”
A AgResource informou que revisará sua projeção de 184,1 milhões de toneladas conforme a chuva do plantio se concretize e, principalmente, de acordo com o volume de janeiro a março de 2027.