O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, destacou nesta segunda-feira (3/8), em Baixa Grande (BA), a importância de incentivar pequenos e médios produtores para o desenvolvimento da produção leiteira no Semiárido Nordestino. Durante o lançamento do Projeto Forrageiras, iniciativa da CNA em parceria com a Embrapa, foi apresentado um “cardápio de forrageiras” que orienta produtores de gado de leite e corte, ovinos e caprinos na escolha de gramíneas mais resilientes e com maior conversão alimentar.
Martins ressaltou que as políticas públicas e a assistência técnica voltadas a esses produtores são deficitárias. “A produção de leite no mundo é sustentada, em sua maioria, por pequenas propriedades, normalmente com rebanhos entre 50 e 60 animais, responsáveis pelo sustento de milhares de famílias rurais. Mas eles precisam reduzir custos e investir em tecnologia para se manterem competitivos”, afirmou.
O objetivo do projeto vai além do aumento da produção: busca promover uma transformação social no campo, criando uma nova classe média rural e reduzindo a concentração de renda. Segundo Martins, menos de 10% dos produtores concentram quase 80% da renda gerada pelo setor.
Para o presidente da CNA, um dos diferenciais da pecuária leiteira brasileira está na alimentação dos animais baseada em pastagens tropicais, que permite custos menores comparados a países como Estados Unidos e nações europeias. No Semiárido, a estratégia precisa ser adaptada: “A utilização de palma forrageira, associada à produção de silagem e feno, é fundamental para formar reservas de alimento durante os períodos de estiagem e reduzir os impactos das secas sobre a produção de leite”.
Entre os desafios, Martins citou a entrada de leite importado da Argentina e do Uruguai, que, segundo ele, conta com subsídios que dificultam a concorrência. A CNA já encaminhou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) questionamentos sobre os impactos dessas importações na renda dos pequenos produtores.
Nos últimos cinco anos, o Brasil registrou redução de cerca de 20% no número de produtores de leite, mas a produção nacional foi mantida ou ampliada graças ao avanço da tecnologia e ao aumento da produtividade das propriedades que permaneceram na atividade.