Queda na produção de arroz pode elevar preços; entenda os impactos

Após registrar retração de 13,2% na safra passada, a produção brasileira de arroz deve voltar a cair no ciclo 2026/27. O primeiro levantamento da nova safra de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), prevê um volume de 10,7 milhões de toneladas do cereal, queda de 2,9%. A área plantada deve se manter praticamente estável, em 1,5 milhão de hectares, enquanto a produtividade das lavouras deve cair 3,7%, para 7 mil quilos por hectare.

A projeção leva em conta a incerteza climática, estratégias de mitigação, custos e preços de mercado que influenciam a decisão do produtor rural. Mas como essa queda na produção impacta o bolso do consumidor? Confira as respostas a seguir:

1. Vai faltar arroz?

Não, segundo a Conab e a indústria de arroz. O consumo interno brasileiro é calculado em 10,8 milhões de toneladas durante a safra 2026/27. Como o Brasil importa cerca de 1,3 milhão de toneladas, a companhia acredita que a produção será suficiente para abastecer o mercado local. “Além disso, temos estoques suficientes para atender ao mercado interno e manter parte da produção destinada às exportações. Portanto, o abastecimento deve seguir normal”, explica Andressa Silva, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz).

2. O arroz vai ficar mais caro?

A possibilidade existe, segundo a Abiarroz. Na safra 2024/25, o Brasil produziu cerca de 13 milhões de toneladas, mais arroz do que consome. A superoferta achatou os preços pagos ao produtor, que se sentiu desestimulado a plantar. “Agora, estamos diante de um movimento de ajuste. Os custos de produção também aumentaram, o que pode influenciar os preços ao longo dos próximos meses”, afirma a diretora executiva. Enílson Nogueira, analista da Céleres Consultoria, não vê risco de desabastecimento nem pressão inflacionária relevante, desde que não haja problemas climáticos. Ele explica que, embora os preços atuais não estimulem o produtor a ampliar a oferta, o consumidor não tem muito espaço para absorver novos aumentos. A inflação acumulada do arroz no ano de 2026 é de 0,39%, conforme o IPCA.

3. O Brasil terá de importar arroz?

As importações já fazem parte do dia a dia da indústria no Brasil, e a Conab prevê a manutenção desses volumes para a próxima safra (cerca de 1,3 milhão de toneladas). “Isso não significa, porém, que haverá falta de produto no país. Temos estoques para atender à demanda e, diante da redução prevista na produção, a tendência é de um ajuste nas exportações brasileiras”, reforça Andressa.

4. A produção de arroz vai continuar caindo?

A quantidade de arroz a ser produzida nos próximos anos depende de uma equação que envolve o preço pago ao produtor e o custo de produção. Segundo o indicador Cepea/Esalq, o preço está cotado hoje a R$ 81 por saca de 50kg. No mesmo período do ano passado, a cotação estava em R$ 57. Portanto, ainda é cedo para afirmar que haverá uma queda contínua na produção nacional. “Precisamos acompanhar fatores como os custos de produção, a rentabilidade do produtor e os efeitos do clima, especialmente diante da possibilidade de El Niño. O desafio é garantir condições para que o produtor continue investindo na cultura, mantendo a produção e o abastecimento do mercado brasileiro”, resume Andressa. Enílson Nogueira acrescenta que, diferentemente de outros grãos, o arroz não tem a mesma demanda no mercado internacional. “Não vejo nenhum problema de abastecimento interno, mas também não vejo uma pujança tão grande de crescimento de área como a gente vê em culturas exportáveis, como soja, milho, algodão e sorgo.”

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