O setor frigorífico brasileiro deverá exportar cerca de 900 mil toneladas de carne bovina para a China em 2026, uma redução de 748 mil toneladas em relação ao recorde de 2025. A estimativa é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. O volume projetado para os embarques deste ano representa quase a metade das 1,68 milhão de toneladas de carne bovina in natura vendidas aos chineses no ano passado.
Essa retração nas vendas pode gerar um impacto de até US$ 4,5 bilhões no faturamento dos frigoríficos nacionais, que já adotaram medidas para reduzir custos e diminuir a produção temporariamente. As indústrias interromperam a produção de cortes específicos e os embarques para a China a partir de julho, por considerarem que a cota já está esgotada.
A redução é resultado da salvaguarda chinesa, que aplicou uma cota de importação ao Brasil de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para 2026. Como a China considera cargas enviadas em 2025, mas que entraram no país neste ano, a exportação total do Brasil em 2026 não chegará ao limite autorizado. Até junho, foram embarcadas 794,6 mil toneladas para os portos chineses.
O impacto projetado considera o volume potencial que deixará de ser exportado, de 748 mil toneladas, e o preço médio dos embarques ao mercado chinês entre janeiro e junho, que chegou a US$ 6,1 mil por tonelada. No início de 2026, a estimativa era exportar 600 mil toneladas a menos, com queda de US$ 3 bilhões na receita, com base na média do ano passado de US$ 5 mil por tonelada.
“Todos sabem o nosso nível de exposição ao mercado chinês. Estamos aprendendo a viver com este novo momento”, disse Perosa. “É um decréscimo grande. Vai ter um impacto na nossa contabilidade, um reflexo na balança comercial e no volume das exportações brasileiras. As vendas para alguns mercados devem crescer, mas não o suficiente para vencer todo esse volume tirado da China.”
Além do esgotamento da cota, há grande possibilidade de as vendas para a União Europeia serem interrompidas a partir de setembro, devido à falta de comprovação técnica do não uso de antimicrobianos na criação de bovinos destinados ao mercado europeu. Isso também afetará o faturamento dos exportadores e pressionará os preços internos.
O setor já adotou medidas como férias coletivas, demissões, redução de jornada e diminuição de abates. Muitas empresas operam no vermelho. A expectativa é que as linhas de abate sejam retomadas no último trimestre para exportações a partir de meados de novembro, com as cargas chegando à China já em 2027, ocupando a cota do próximo ano.