A Radar, empresa de propriedades agrícolas controlada pela Cosan em parceria com a gestora americana Nuveen, anunciou a venda de 12% de suas terras por R$ 1,85 bilhão. A transação foi revelada em fato relevante divulgado pela Cosan, que detém 30% do negócio — com a maioria das ações com direito a voto — enquanto a Nuveen possui os 70% restantes.
Atualmente, a Radar administra um portfólio avaliado em R$ 18 bilhões, distribuído por mais de 300 mil hectares em oito estados brasileiros. A maior parte das áreas está concentrada no Sudeste, voltada para arrendamentos de cana-de-açúcar. As terras vendidas estão localizadas no Mato Grosso, somando 41.214 hectares, já destinados ao cultivo de soja, milho e algodão. A participação da Cosan nessa área equivale a R$ 586 milhões.
Segundo a Cosan, a venda está alinhada à sua estratégia de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação do portfólio. A holding ainda carrega uma dívida bruta expandida de R$ 19 bilhões, embora tenha diminuído em relação a trimestres anteriores. O compromisso de venda foi firmado com o Grupo Bom Futuro, do empresário Eraí Maggi Scheffer, conforme apurou o site The Agribiz. Contudo, a operação depende da anuência da SLC, que arrenda 70% das terras negociadas e tem direito de preferência. Outra parte é arrendada pelo próprio Bom Futuro e por outras empresas.
A Cosan informou que a conclusão está sujeita a condições precedentes usuais, sem detalhá-las. O mercado reagiu positivamente: as ações da Cosan na B3 subiram 6,12% no dia do anúncio, fechando a R$ 3,47. Analistas do BTG Pactual já defendiam a venda de terras como forma de monetização, apontando que o rendimento dos dividendos da Radar, historicamente em torno de 3%, fica muito abaixo do custo de capital da Cosan (16%), gerando um custo de carregamento negativo de 13%. Segundo o banco, vender com desconto pode ser mais vantajoso dado o alto custo de capital no Brasil.
Na última teleconferência de resultados, o vice-presidente financeiro da Cosan, Rafael Bergman, afirmou que a estratégia da Radar não prevê a venda isolada de fazendas nem a alienação total da companhia, mas sim a negociação de perímetros mais amplos para preservar o valor dos ativos.