Referência mundial em saúde do solo, o cientista Rattan Lal defende práticas agrícolas regenerativas e a redução do desperdício como parte da solução para as mudanças climáticas. Em visita ao Brasil para o 10º Simpósio Internacional de Matéria Orgânica do Solo, organizado pelo CCarbon da USP, ele concedeu entrevista exclusiva.
Lal é diretor do Centro Rattan Lal para Gestão e Sequestro de Carbono da Universidade Estadual de Ohio (OSU) e acumula quase 182 mil citações acadêmicas. Recebeu o Nobel da Paz em 2007 como membro do IPCC e o World Food Prize em 2020.
Segundo ele, a agricultura precisa ser parte da solução climática: “De todos os gases de efeito estufa emitidos pela atividade humana, 30% vêm do sistema alimentar. Grande parte do ecossistema agrícola perdeu cerca de 30% do solo nas Américas. Hoje sabemos como repor o carbono perdido”.
Sobre pastagens degradadas na Amazônia, o pesquisador defende a “lei do retorno”: tudo o que é retirado da terra deve ser reposto, preferencialmente com matéria orgânica reciclada. “Estima-se que usamos 5,2 bilhões de hectares para agropecuária. Cerca de 2 bilhões poderiam ser devolvidos à natureza, mas os agricultores precisam ser compensados pela sociedade.”
Ele também critica o desperdício: “Produzimos 3,2 bilhões de toneladas de grãos por ano, mas cerca de 1 bilhão são desperdiçados. Por que produzir mais para desperdiçar mais?” Lal sugere que áreas degradadas recuperadas sejam destinadas à regeneração florestal, não ao uso agrícola, e defende programas similares ao CRP dos EUA.