O agronegócio brasileiro enfrenta um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial. Segundo o Monitor RGF-Bizdoc, o número de CNPJs de agricultores em recuperação judicial chegou a 1.263 ao final do primeiro semestre de 2026, uma alta de 66% em relação ao mesmo período de 2025.
Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF e da Bizdoc e coordenador do Monitor, afirma que, somando a cadeia de insumos, agroindústria e comercialização, o total chega a 1.575 CNPJs, cerca de 20% de todo o estoque de recuperações judiciais do país.
A soja lidera os casos, com 589 produtores em recuperação judicial, pouco menos da metade do total. Outras culturas como arroz (+53,8%), milho (+45,2%) e café (+44,4%) também registraram aumentos expressivos no primeiro semestre. Na pecuária de corte, foram 19 recuperações, e a produção de leite viu um salto de 257%, para 50 casos.
Regionalmente, Mato Grosso (196 CNPJs) e Rio Grande do Sul (194) são os estados com mais produtores em recuperação judicial. O Sul e o Centro-Oeste concentram a maior parte dos processos, com 392 e 391, respectivamente.
O levantamento também revela que micro e pequenos produtores são os mais afetados: 54% dos casos são de microempresários e 26% de pequenos. Desde o primeiro trimestre de 2023, o estoque de recuperações de microempresas do setor cresceu dez vezes.
As perspectivas para o futuro não são animadoras. Damasceno alerta que o pior ainda está por vir, no segundo semestre de 2026 e em 2027, refletindo margens de lucro apertadas nas safras anteriores. Além disso, a navegação comprometida no Estreito de Ormuz eleva os custos dos fertilizantes, pressionando ainda mais os produtores.