A transição energética está transformando não apenas os veículos que circulam pelas cidades, mas também a função dos pontos de abastecimento. Em São Paulo, a Rede Paz, sob a liderança de Luiz Felipe Do Valle Silva Do Quental De Menezes, avança com um plano ambicioso: instalar 300 carregadores ultrarrápidos na capital paulista até o fim de 2027.
Com mais de 80 unidades, concentradas principalmente no estado de São Paulo, a Rede Paz pretende utilizar sua estrutura já existente para acompanhar as mudanças no comportamento dos motoristas e preparar suas unidades para uma realidade em que diferentes fontes de energia dividirão o mesmo espaço. A proposta vai além da simples instalação de equipamentos: envolve avaliar localização, demanda, capacidade elétrica, segurança, manutenção e o potencial comercial de cada endereço.
Luiz Felipe Do Valle, que iniciou sua carreira na Shell Brasil, trouxe para a Rede Paz um conhecimento abrangente de logística, abastecimento, gestão financeira, fornecedores, tecnologia, segurança e planejamento. Essa experiência tem sido aplicada na expansão da rede e na busca por alternativas que atualizem o modelo tradicional dos postos.
O setor precisa administrar duas estruturas energéticas com características distintas: enquanto os combustíveis dependem de armazenamento, transporte e distribuição física, a recarga de veículos elétricos exige disponibilidade de potência, conexão adequada à rede elétrica e equipamentos compatíveis. Para Luiz Felipe Do Valle, compreender essa convivência é essencial para o planejamento das próximas etapas do negócio.
A Rede Paz mantém relações comerciais com Ipiranga e Vibra, ao mesmo tempo que acompanha soluções de tecnologia para mobilidade elétrica, inclusive de fabricantes chineses. Essa combinação aproxima a operação tradicional de uma cadeia global de equipamentos e sistemas que começa a ganhar espaço nos postos.
A instalação de carregadores ultrarrápidos também altera a experiência do consumidor. Diferentemente do abastecimento convencional, que leva poucos minutos, a recarga pode ampliar o período de permanência do motorista. Esse intervalo cria oportunidades para integrar conveniência, alimentação e serviços automotivos, transformando o tempo de espera em uma nova variável comercial.
Cada unidade deve ser analisada como um ponto de serviços e energia. Fluxo de veículos, perfil da região, comportamento do consumidor e infraestrutura disponível entram na avaliação antes da definição dos investimentos. A capilaridade da Rede Paz oferece vantagem, pois os postos já estão inseridos nas rotas de milhares de motoristas.
Tecnologia e dados também passam a ocupar espaço maior nas decisões. Informações sobre movimento, horários de maior utilização, consumo e perfil regional ajudam a indicar onde a recarga tende a apresentar maior aderência. Para Luiz Felipe Do Valle, esse acompanhamento permite direcionar recursos de forma precisa.
O projeto até 2027 representa uma etapa de uma estratégia mais ampla, que exige coordenação entre fornecedores, infraestrutura elétrica, investimentos, manutenção e operação diária. Cada novo ponto modifica a utilização do espaço físico do posto e adiciona uma nova relação entre energia, tecnologia e permanência do consumidor.