Na China, um cão robô equipado com inteligência artificial foi utilizado durante a colheita de chá da primavera de 2026 para transportar folhas das plantações até a unidade de processamento. A tecnologia é da SpatiX, empresa ligada à Qianxun Spatial Intelligence, joint venture entre o Alibaba Group e a Norinco, estatal chinesa da área de defesa.
As plantações de chá do Lago Oeste, em Hangzhou, província de Zhejiang, ficam em locais com caminhos irregulares que dificultam o transporte das folhas. Equipado com tecnologia de posicionamento de alta precisão, o cão robô percorre esse terreno sozinho, reduzindo o tempo gasto no transporte, segundo a SpatiX.
“As plantações de chá normalmente ficam em áreas montanhosas, o que faz do transporte um dos maiores desafios durante a colheita. O cão robô foi desenvolvido especificamente para esse tipo de ambiente. Ele consegue subir encostas, atravessar caminhos irregulares e se deslocar com facilidade por terrenos externos complexos”, explica Doris Wu, diretora de parcerias estratégicas da empresa.
O caso ilustra uma frente menos conhecida da corrida chinesa pela automação: a chamada “embodied AI”, ou inteligência artificial incorporada. Os sistemas são integrados a máquinas capazes de perceber o ambiente e executar tarefas físicas. Na agricultura, a tecnologia começa a ser testada não apenas para colher, mas também para resolver gargalos como o transporte da produção dentro da propriedade.
A aplicação pode ser especialmente relevante em áreas de difícil acesso e com escassez de mão de obra. “A IA incorporada não se resume a robôs humanoides, ela também consiste em resolver problemas práticos em setores do mundo real. Na agricultura, cães robôs podem se tornar parceiros logísticos inteligentes, ajudando a enfrentar os desafios do transporte na última milha e acelerando a transformação digital da agricultura moderna”, afirma Wu.
A empresa diz que enxerga oportunidades significativas no Brasil, dada sua forte base agrícola, e que tem interesse em estabelecer parcerias com companhias brasileiras, mas não entra em detalhes. A robótica é vista como o próximo passo da agricultura de precisão. Máquinas cada vez mais autônomas são capazes de identificar problemas e tomar decisões planta a planta, reduzindo o uso de insumos e aumentando a eficiência.
“Como consequência, temos ganhos econômicos e ambientais e uso mais racional e econômico de insumos, o que seria muito bem-vindo em momentos de aumento de riscos climáticos e margens apertadas como vivemos nos dias atuais”, diz o pesquisador Rogério de Sá Borges, da Embrapa Soja.