Rota das Lavandas impulsiona turismo rural no Paraná e atrai fila de espera de produtores

Inspirado nas paisagens da Provença, na França, o cultivo de lavanda com foco no turismo rural ganha força no Brasil. No Paraná, a Rota das Lavandas, lançada em 2022, já conta com 13 áreas de cultivo — um salto em relação às cinco iniciais. Nos primeiros três anos, o projeto recebeu 255,9 mil visitantes, gerou renda para os agricultores e movimentou a economia local. Atualmente, há 20 produtores na fila de espera para ingressar na rota.

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), órgão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado, a Rota das Lavandas gerou uma renda bruta de R$ 13,2 milhões desde sua criação. “Temos uma fila de espera de 20 produtores para entrar na rota. Eles estão em fase de testes com variedades de lavanda no campo e se organizando para atender o turista”, afirma Laís Adamuchio de Oliveira, assessora estadual de projetos do IDR-Paraná.

A iniciativa faz parte do programa de turismo rural do IDR. “O diferencial da proposta é que a atividade pode ser implantada em pequenas áreas e gerar grande rentabilidade”, destaca Oliveira. Ela explica que, nas propriedades integrantes, a maioria dos campos de lavanda não chega a um hectare. A renda vem da venda de ingressos, produtos e experiências como piqueniques e ensaios fotográficos. Como as áreas são pequenas, não há cultivo comercial para extração de óleo essencial.

O perfil dos empreendimentos mostra que o negócio exige mais do que a implantação do campo florido. Segundo a representante do IDR, os produtores também oferecem consultoria sobre a atividade a outros interessados.

O “efeito lavanda”

Jacir Wiezbicki, proprietário do Recanto das Lavandas, em Araucária (região metropolitana de Curitiba), lançou neste ano um workshop sobre cultivo e fabricação de produtos à base de lavanda. Em sua propriedade, a área plantada é de cerca de 5 mil metros quadrados (meio hectare). O negócio familiar, iniciado em 2020, oferece visita guiada, piquenique e ensaios fotográficos, além de restaurante rural, café e cervejaria, onde é possível experimentar um chopp de lavanda. O Recanto recebe 1 mil visitantes por mês.

A produtora Dóren de Andrade Faria, de Londrina, também dá cursos e workshops sobre cultivo de lavandas e como transformar isso em negócio. Ela toca o Santa Lavanda com o marido Marcos Paulo Romani. “É uma ótima opção para o produtor, pois possibilita agregar valor com múltiplas fontes de renda”, afirma. A capacitação tornou-se a atividade principal do empreendimento. Em parceria com o Sebrae, o casal desenvolve um aplicativo voltado ao cultivo da lavanda. A propriedade, com 2,5 mil metros quadrados plantados e quatro variedades, recebe cerca de 1 mil pessoas por mês.

Lucas Los, proprietário do lavandário Het Dorp Vilarejo Holandês, foi um dos primeiros a integrar a Rota das Lavandas. Ele mantém o maior campo de lavanda do Estado, com 1,5 hectare, em Carambeí (Campos Gerais). Entre 2022 e 2025, o número de visitantes dobrou, chegando a 50 mil. No entanto, neste ano houve recuo de cerca de 20% na venda de ingressos. “Os outros empreendimentos também tiveram essa queda. Estamos avaliando se o clima, com aumento do frio, pode estar interferindo”, diz. Além do campo, o Het Dorp abriga um Museu da Lavanda, café e queijaria. O visitante pode provar queijo com lavanda e soda italiana com lavanda. “As pessoas buscam o turismo rural com foco em experiências, por isso estamos sempre lançando novidades”, afirma Los. Mesmo com a redução do público, ele manterá os investimentos previstos para este ano, que incluem ampliação do campo e construção de um moinho holandês.

O IDR recomenda, para quem deseja começar, uma análise de viabilidade do negócio e testes com diferentes espécies da planta.

Outros exemplos

Apesar da inspiração francesa, os campos de lavanda no Brasil são formados, na maioria, pela lavanda dentata, que se adapta melhor ao clima do país. Na França, o cultivo predominante é da lavanda angustifolia, de cor mais azulada e que produz o óleo valorizado na perfumaria. Por ser pouco expressiva, não há dados precisos sobre a produção de lavanda no Brasil.

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