Safra de pêssegos no Rio Grande do Sul enfrenta pior colheita em 15 anos devido ao clima

A safra de pêssegos no Rio Grande do Sul deve registrar a pior colheita dos últimos 15 anos em 2026. O excesso de chuvas, a alta umidade, ocorrências de granizo e geadas durante o período de floração e pegamento dos frutos prejudicaram os pomares, especialmente na região de Pelotas, principal polo de produção destinado à indústria de conservas e doces.

Pomar de pêssegos na região de Pelotas (RS): árvores não têm frutos nem flores
Pomar de pêssegos na região de Pelotas (RS): árvores não têm frutos nem flores — Foto: APPRP/Divulgação

Segundo Adriano Bosenbecker, presidente da Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP), a colheita da safra 2026/27 deverá ser a pior em 15 anos. “No ano passado, na nossa região, colhemos em torno de 50 milhões de quilos de pêssego. Nesta safra, não devemos chegar a 25 milhões de quilos”, afirma.

A situação é ainda mais grave para produtores que sofreram com granizo. “Nesses locais, as perdas estão entre 80% e 100%”, diz Bosenbecker. O principal responsável pelas perdas, no entanto, foi o clima úmido e chuvoso do inverno, conforme explica Edgar Martin Nörenberg, gerente-adjunto da Emater Regional de Pelotas. “Praticamente não tivemos sol no mês de julho e em agosto, quando os pessegueiros estão em floração. É uma fase muito crítica, com risco de doenças e problemas que interferem no pegamento dessa flor que vai se transformar na fruta”, detalha.

Atualmente, os produtores estariam realizando o raleio dos pomares, retirando o excesso de frutas dos galhos para garantir tamanho e qualidade. No entanto, nesta safra, este trabalho quase não será necessário, de tantas frutas que as árvores estão largando no chão. “Muitos pessegueiros tiveram problema de polinização ou doenças nesta fase de transição da flor para a fruta, e agora os pêssegos não ficam viáveis e caem das árvores”, lamenta Nörenberg. O gerente adjunto estima que a perda de safra na região deverá ficar acima de 50% em comparação com 2025.

Na Serra gaúcha, onde a produção de pêssego é voltada para o consumo de mesa, as perdas são menores até o momento. “Houve ocorrência de granizo também em algumas áreas, mas em menor quantidade do que em Pelotas. Também tivemos geadas recentes, que geraram alguns prejuízos, mas só nos próximos dias devemos ter uma ideia melhor do andamento da safra”, relata Thompson Didoné, chefe do escritório municipal da Emater de Bento Gonçalves.

No município de Pinto Bandeira, maior produtor de pêssego de mesa do Rio Grande do Sul, com cerca de 1 mil hectares cultivados e 250 fruticultores, o maior temor é a previsão de frio na segunda metade de setembro, com possibilidade de geadas que podem causar perdas. “Pela expectativa climática, a safra deve ser menor do que no ano passado, quando tivemos um grande volume. Mas ainda esperamos uma colheita boa”, declara Rubiane Da Campo Rubbo, presidente da Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira (Asprofruta).

No município, o clima chuvoso na época de floração e pegamento causou abortamento de frutas em algumas árvores, mas o impacto ainda é considerado pequeno. “Mas temos a previsão de um El Niño bem intenso, e provavelmente haverá outras ocorrências de granizo, o que nos preocupa”, observa Rubiane.

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