O Brasil se prepara para colher a maior safra de abacate hass, conhecido como avocado, da história. De acordo com a Abacates do Brasil, associação que reúne produtores, técnicos e viveiristas, a expectativa é de que o volume alcance 60 mil toneladas neste ano – o dobro do registrado em 2025. O crescimento é impulsionado pelas exportações, que devem absorver cerca de 90% da produção.
Expansão da área plantada
O avocado, variedade de abacate de casca escura, rugosa e polpa mais consistente, tem ganhado cada vez mais espaço no país. A área plantada deve atingir entre 10 mil e 11 mil hectares em 2026, contra 9 mil hectares há quatro anos e apenas 1 mil hectares uma década atrás. Os estados de São Paulo e Minas Gerais concentram a maior parte da produção, com colheita de fevereiro a setembro.
Desafios climáticos e recuperação
A produtividade da árvore, que começa a frutificar a partir do quarto ano e exige clima mais frio e altitudes elevadas, sofreu com problemas climáticos nos últimos anos. Excesso de calor e falta de chuva durante o pegamento dos frutos reduziram a produção. Em 2025, a Jaguacy Avocado, maior produtora e exportadora do país, teve uma quebra de 70% de sua safra devido à seca. Em 2026, com condições mais favoráveis, a empresa espera colher a maior safra de sua história.
Pioneirismo e inovação na Jaguacy
O cultivo comercial de avocado na Fazenda Jaguacy começou há 51 anos. Atualmente, a segunda geração da família cultiva 1.200 hectares em Bauru (SP), Timburi (SP) e Roca Sales (RS), com produtividade de até 12 toneladas por hectare. A empresa investe em irrigação por microaspersão para amenizar os efeitos do calor e já adquiriu 300 hectares no Rio Grande do Sul para estender a janela de exportação de novembro a fevereiro, período de menor oferta global.
“Investimos em irrigação por microaspersão para criar um microclima para a árvore não sentir tanto a temperatura. Agora, quando chega a 28 graus, a gente faz chover no pomar”, afirma Ligia Falanghe Carvalho, sócia-diretora da Jaguacy.
Vantagens do avocado para exportação
Indicado por nutricionistas por seu alto teor de fibras, potássio, vitaminas E e B6, ácidos graxos monoinsaturados e antioxidantes, o avocado se destaca do abacate tropical por ter prazo de validade de até 45 dias, permitindo o transporte marítimo. A Jaguacy projeta exportar 800 contêineres (16.800 toneladas) para Europa, Argentina, Uruguai, Chile e Índia em 2026. A meta do setor é abrir o mercado dos Estados Unidos, maior importador mundial, mas ainda faltam acordos comerciais específicos.
Perspectivas de crescimento
Segundo Rodrigo de Paiva Stockler Barbosa, presidente da Abacates do Brasil, o país tem potencial para se tornar rapidamente o terceiro maior produtor mundial de avocado, atrás do México. Ele ressalta, no entanto, que a sobrevivência do setor depende da exportação, já que o mercado interno ainda precisa ser desenvolvido. A Jaguacy emprega 300 pessoas na colheita e possui viveiro próprio, packing house com automação e certificações internacionais.
“A produção deve crescer bastante nos próximos anos. O Brasil é apenas o 10º maior produtor mundial, mas tem potencial para ser o terceiro rapidamente. Só que para sobrevivência é preciso trabalhar com exportação”, conclui Ligia Carvalho.