Seguradoras apontam desequilíbrio de 5 vezes entre orçamentos do Proagro e PSR para 2027

Seguradoras e especialistas do mercado privado criticam a diferença de quase cinco vezes entre o orçamento previsto para o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), de R$ 5,6 bilhões, e o destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), de R$ 1,2 bilhão, para 2027. O PSR antecipa a proteção, compartilha riscos com seguradoras e resseguradoras e reduz a exposição de produtores, bancos e cooperativas.

Segundo Pedro Loyola, coordenador do Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV-Agro, aportes mais robustos no PSR podem ampliar a cobertura no campo, que hoje atinge apenas 3% das lavouras brasileiras, e reduzir a pressão por renegociações de dívidas rurais causadas por eventos climáticos extremos. “É mais racional financiar parte do prêmio antes da safra do que deixar o risco climático se transformar em inadimplência, prorrogação, recuperação judicial, execução de garantias e socorro público”, afirmou.

O governo, por sua vez, defende que o Proagro é um exemplo de aprimoramento do gasto público. Ajustes implementados desde 2023, como a redução do teto de cobertura de R$ 270 mil para R$ 200 mil por agricultor, priorizaram pequenos produtores e a agricultura familiar. Para a safra 2026/27, as alíquotas foram atualizadas e um bloqueio dinâmico de despesas foi instituído, garantindo previsibilidade orçamentária.

Medidas como envio de fotografias georreferenciadas nas vistorias e a consideração da produção obtida em perdas de alta gravidade reforçam o controle. O BC afirma que a redução do custo médio pago pelos beneficiários não aumenta despesas do Tesouro.

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