A semana iniciou com ritmo lento no mercado do boi gordo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em diversas regiões, as indústrias frigoríficas optaram por não realizar novas compras, aguardando definições para retomar as atividades a partir de terça-feira (30/6). Do lado dos pecuaristas, prevaleceu a postura de espera.
O feriado do jogo da Seleção Brasileira na segunda-feira (29/6) contribuiu para a redução do volume de negociações, com muitos agentes do setor trabalhando apenas meio período.
De acordo com a Scot Consultoria, as vendas de carne seguem fracas, e os compradores adquiriram apenas o necessário para manter o fluxo de abate, que já está reduzido. Os frigoríficos habilitados para exportar à China diminuíram o ritmo de compras diante da expectativa de preenchimento da cota sem tarifa.
“O que se evidencia é o aumento da capacidade ociosa nas diferentes regiões do país, com a programação de abates sendo ajustada a uma nova realidade de demanda”, afirma Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado.
Das 33 regiões monitoradas pela Scot, 26 não registraram variação no preço do boi gordo em relação à sexta-feira (26/6). Em Araçatuba (SP) e Barretos (SP), a cotação caiu R$ 2, para R$ 340 a arroba. O “boi China” e a novilha também recuaram R$ 2, para R$ 345 e R$ 327 a arroba, respectivamente. A vaca teve queda de R$ 3, para R$ 315 a arroba.
Além das praças paulistas, a Scot verificou quedas no preço do boi gordo em Campo Grande (MS), Santa Catarina, sudeste de Rondônia e norte de Tocantins. Em Roraima, houve alta nas cotações.
Mercado interno de carne
No atacado, o fim do mês reduziu o fôlego das vendas no varejo, com menos pedidos de reposição de estoques, destaca a Scot. A oferta foi maior na última semana e, combinada ao menor escoamento, resultou em acúmulo nas câmaras frigoríficas, pressionando os preços das carcaças casadas para baixo.
A carne bovina segue menos competitiva em relação a concorrentes como suína e frango. “O baixo poder de compra da população e o alto nível de endividamento seguem norteando o consumo interno para proteínas de menor valor agregado, especialmente a carne de frango”, afirma Iglesias.
O Cepea destaca que a carcaça casada de boi mantém diferença consistente em relação ao boi gordo, refletindo a dinâmica da demanda no atacado. Até o dia 26, o boi gordo estava cotado, em média, a R$ 348,64 a arroba (indicador Cepea/Esalq), enquanto a carcaça casada registrava média de R$ 369,45 a arroba.