O número de estabelecimentos produtores de cachaça no Brasil registrou o maior crescimento em sete anos em 2025, com 1.538 unidades — uma alta de 21,5% em relação a 2024. Os dados foram compilados pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) junto ao Ministério da Agricultura e publicados no Anuário da Cachaça 2026.
Desde 2018, o número de produtores cresceu 61,7%, passando de 951 para 1.538. O presidente do Ibrac, Vicente Bastos, destacou que os números mostram a expansão e resiliência de uma cadeia produtiva presente em todas as regiões do Brasil, formada majoritariamente por pequenos e médios produtores.
O maior avanço percentual foi observado na Região Sul, que expandiu 51,4% em relação ao ano anterior, totalizando 106 unidades. Minas Gerais segue como o estado com maior número de estabelecimentos registrados — 564 unidades —, sendo Salinas a cidade com maior concentração (27). O estado também lidera em número de cachaças registradas, com 2.922 produtos (34,9% do total nacional).
Nacionalmente, houve aumento de 16% no número de produtos registrados (8.379) e de 17% no de marcas vinculadas (11.131 rótulos). Segundo o Ibrac, um mesmo registro pode contemplar mais de uma marca comercial. A região Sudeste concentra 62,5% dos estabelecimentos do país.
No comércio exterior, foram exportados 7,96 milhões de litros em 2025, crescimento de 19,4% em volume e 17,4% em valor (US$ 17,07 milhões). A cachaça foi vendida para 76 países; o Paraguai foi o principal destino em volume (17%) e os EUA, em valor (24%). Apesar do avanço, o Ibrac considera as exportações pouco expressivas diante do tamanho do setor e do mercado internacional de destilados.
Por outro lado, a produção declarada em 2025 apresentou redução de 15,77%, com 234,48 milhões de litros. Vicente Bastos aponta desafios como a elevada carga tributária e a falta de isonomia no segmento de bebidas alcoólicas, fatores que comprometem a competitividade do setor.