SLC e Brado inauguram corredor ferroviário para exportar algodão do Matopiba via Porto de Santos

A SLC Agrícola e a Brado, empresa de logística, concluíram com sucesso uma operação multimodal inédita no Brasil, transportando 246,2 toneladas de algodão do Maranhão até o Porto de Santos (SP). A carga percorreu de trem o trajeto de Davinópolis (MA) a Sumaré (SP) e, em seguida, seguiu de caminhão até o terminal portuário paulista, de onde foi embarcada para o sudeste da Ásia.

As duas companhias atuam juntas desde 2020 no escoamento de algodão de Mato Grosso, principal estado produtor da fibra no país. Agora, o novo corredor logístico surge como uma alternativa para o algodão produzido na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Parte da produção da SLC no Matopiba já era transportada por rodovia até os portos do Sul e Sudeste. Com a utilização da Ferrovia Norte-Sul, que se estende por mais de 2,7 mil quilômetros, o custo do transporte tende a diminuir, já que o modal ferroviário apresenta menor despesa operacional em longas distâncias. Além disso, a ferrovia permite transportar um volume maior de carga por viagem.

“Esse ganho de escala dilui os custos do transporte por tonelada, tornando o escoamento mais eficiente e reduzindo o custo logístico da exportação”, explica Mayra Antunes Coelho, executiva de vendas da Brado. Segundo ela, a escolha pelo Porto de Santos se deu por ser o principal canal de exportação do país e por conectar uma área em expansão aos mercados globais.

Em nota conjunta, SLC e Brado destacaram que, nos portos do Arco Norte, ainda não há linhas regulares de navios porta-contêineres que atendam os principais destinos do algodão brasileiro. Os contêineres, segundo as empresas, preservam melhor a qualidade da pluma.

A rota ferroviária de Davinópolis a Sumaré começou a ser testada em julho de 2025 com outros produtos e foi ativada oficialmente em dezembro. “Este primeiro embarque de algodão consolida a viabilidade dessa alternativa ferroviária rumo ao Porto de Santos, que oferece alta frequência de navios e disponibilidade de contêineres exigidas para a exportação global”, afirma Mayra Coelho. Ela acrescenta que não houve investimento em novos ativos físicos, pois a Brado utilizou a infraestrutura já existente em seus terminais multimodais.

A SLC cultiva algodão desde 1998 e destina a pluma principalmente à indústria têxtil. “A avaliação dessa nova alternativa de escoamento amplia as possibilidades de integração entre os modais e gera aprendizados relevantes para o desenvolvimento de operações futuras”, diz Thiago Sanches, coordenador de logística da SLC Agrícola.

As empresas consideraram a operação bem-sucedida e declararam o corredor logístico “oficialmente aberto e operacionalmente pronto para o mercado”. Para Mayra Coelho, a rota demonstrou viabilidade técnica e segurança para transportar a fibra do Matopiba. O Brasil é atualmente o maior exportador global de algodão, tendo embarcado 3 milhões de toneladas em 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

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