Entrevista: Almir Sater fala sobre felicidade, vida no campo e carreira
Há 45 anos, em 1981, Almir Sater lançou seu primeiro disco, Estradeiro. Desde então, o violeiro e cantor percorre o Brasil com seu som que retrata a vida do homem do campo. Também conhecido por suas atuações em novelas, como em Renascer (2024), ele divide seu tempo entre a propriedade no Pantanal, onde cuida do gado, e a casa na Serra da Cantareira, em São Paulo. No fim de 2025, recebeu a equipe da Globo Rural em Londrina (PR) para uma conversa sobre origens, felicidade e planos para 2026. Confira os principais trechos.
Globo Rural: Como foi sua infância em Campo Grande?
Almir Sater: Campo Grande é uma cidade de árabes, cheia de japoneses e paraguaios também. Meu pai veio do Paraguai e se fixou em Ponta Porã, depois conheceu minha mãe em Campo Grande. Nasci depois de uns seis anos e tive uma infância maravilhosa em uma cidade pequena, com ruas de terra. As chácaras e fazendas dos meus tios eram perto, então eu tinha contato com animais e cavalos. Sempre sonhei em ter minha própria terrinha para criar cavalos e gado. Hoje sou um homem feliz porque sou um homem da terra.
GR: A música ‘Luzeiro’, tema do Globo Rural, é uma homenagem a um cavalo do seu pai?
Sater: Sim. Luzeiro foi um dos últimos cavalos do meu pai. Ele tinha um reprodutor chamado Gaivel. Um dia, um pantaneiro pediu o cavalo para o Pantanal e, em troca, trouxe um potrinho todo cortado de arame, o Barbudinho. O treinador descobriu que ele era muito veloz e, depois de correr contra uma égua campeã, venceu fácil. Decidiram que um cavalo daquele porte merecia um nome de campeão: Luzeiro, em homenagem a um cavalo argentino. Ele nunca perdeu uma corrida, mas infelizmente foi sacrificado por anemia infecciosa. Eu o eternizei na música.
GR: Você tocava violão na adolescência?
Sater: Na minha rua, todo mundo tocava violão. Eu era um dos piores, mas insistia. Sempre gostei de música, mas nunca pensei em ser profissional. Fui estudar direito no Rio de Janeiro, mas um dia vi um violeiro no Largo do Catete e pensei: ‘É isso que quero’. Comprei uma viola, e ela me abriu portas. A viola é um instrumento do interior, das duplas caipiras. Com influência roqueira, comecei a tocar.
GR: Você se formou em direito?
Sater: Não, a música me puxou antes. Fui até o segundo ano, perdi um ano por faltas. Tentei voltar, mas fui a São Paulo, conheci músicos e percebi que o som deles era mais próximo do meu. Fiquei por lá e não voltei para o Rio. Montamos uma cooperativa musical. Um dia, em um show solo, fui convidado para gravar um disco. Pedi tempo para preparar o repertório e eles aceitaram.
GR: No primeiro disco, você já conta com Tião Carrero.
Sater: Foi sorte. Parei ele no corredor da gravadora e disse que era fã. Ele pediu para eu tocar viola, elogiou meu som. Disse que aprendi com ele, mas ele respondeu: ‘Não é igual ao meu som’. Expliquei que seguia a técnica, não o estilo. Caí nas graças dele.
Almir Sater fará ao menos 60 shows com seu filho Gabriel Sater em 2026, com o projeto “Pai e Filho”, percorrendo Brasil e Estados Unidos. A turnê promete celebrar a música e a vida no campo.