Spread bancário do crédito rural sobe para 3,56% na safra 2026/27 com aumento do risco

O spread bancário das linhas equalizadas de crédito rural do Plano Safra 2026/27 atingiu 3,56%, superior aos 3,13% registrados no ciclo anterior (2025/26). A diferença entre as taxas de captação e de empréstimo reflete o maior risco no campo, impulsionado pela elevação da inadimplência e pelas perspectivas climáticas e financeiras negativas para a safra.

O governo federal optou por não forçar uma redução nos spreads, uma vez que bancos e cooperativas de crédito demonstram maior aversão ao risco. As linhas subsidiadas somam R$ 141,9 bilhões nesta temporada, com a participação de 26 instituições financeiras — número recorde.

O gasto do Tesouro Nacional com a subvenção de juros — que cobre o spread e o Custo Administrativo e Tributário (CAT) — subiu para R$ 18,2 bilhões em 2026/27, ante R$ 13,5 bilhões no ciclo anterior. Esse aumento ocorre mesmo com a queda da taxa Selic, que passou de 15% ao ano em julho de 2025 para 14,25% atualmente.

Para o pesquisador do Ipea, Rogério Boueri, a elevação do spread é uma resposta direta ao aumento do risco no agro. “Os bancos não podem incluir isso no custo de capital, que é uma medida geral e objetiva, mas podem elevar o spread para compensar”, explicou. Ele acrescentou que o movimento deve aumentar marginalmente o gasto do Tesouro com equalização de juros.

Os índices de spread permaneceram na faixa entre 0,58% e 10,9%, mesma do ciclo passado. O alívio veio da redução dos custos das fontes de captação das instituições financeiras, como recursos próprios, poupança rural, Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). As LCAs lideram como principal fonte, com R$ 73,3 bilhões.

Na quinta-feira (23), o Ministério da Fazenda publicou portaria que autoriza o pagamento da equalização de juros, liberando o início das operações. Entre os 26 agentes financeiros, cinco são estreantes: ABC Brasil, BMG, BV, Santander e a cooperativa Lar Credi. Já Badesul, BRB, Credialiança e Stara não participam nesta safra.

Do total, R$ 97,5 bilhões são destinados a médios e grandes produtores, com 25 instituições financeiras. A agricultura familiar conta com 18 agentes e R$ 44,3 bilhões. O Banco do Brasil, embora tenha reduzido sua participação para R$ 41,8 bilhões (ante R$ 58 bilhões na safra anterior), ainda detém a maior fatia (29%). O BNDES terá R$ 40,4 bilhões.

O governo dividiu a aplicação dos limites equalizáveis em dois semestres, medida que evitou a necessidade de suplementação orçamentária. Para o primeiro semestre, a autorização é de até R$ 94,7 bilhões, com custo orçamentário de R$ 1,7 bilhão. O restante será liberado entre janeiro e junho de 2027.

As linhas de custeio com “desconto sustentável” — que oferecem até 1 ponto percentual a menos nos juros para médios e grandes produtores — terão R$ 3,1 bilhões, cerca de 5% do total destinado ao custeio equalizado.

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