Decidida a mudar de profissão e, ao mesmo tempo, fortalecer o negócio da família, a tecnóloga em gestão ambiental Aline Alves Pereira retornou às origens. Em 2024, ela passou a integrar oficialmente a rotina do Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde a família mantém, há 43 anos, a produção artesanal de cachaça.
Há três anos e meio, Aline está à frente da área administrativa ao lado da irmã, Renata Alves Pereira, e tem como foco a profissionalização do alambique familiar. Desde então, buscou a regularização e o registro do negócio no Cadastro Nacional de Agricultura Familiar (CAF), o que permitiu a participação em concursos, a conquista de destaque para a marca e a ampliação dos canais de venda.
“A regularização traz uma sensação de dever cumprido e me traz alegria e alívio. É o fruto da união de esforços de muitas pessoas e nos abrirá portas”, relata Aline.
A adequação do alambique exigiu mudanças na estrutura e na organização da produção, com acompanhamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). A extensionista Carolina Vilela Moreira explica que o escritório local e a unidade central auxiliaram a família durante as reformas e adaptações necessárias para a regularização do espaço, além do processo de emissão do CAF.
A família produz dois tipos de cachaça: a branca, armazenada em barris de madeira de amendoim, e a amarela, que passa por envelhecimento em barris de amburana. Com a regularização, agora é possível ter rótulo nos produtos, o que faz toda a diferença para conquistar novos pontos de venda. Atualmente, o alambique vende para pequenos comércios locais, mas o objetivo é ampliar para cidades vizinhas e vendas online, em site próprio.
Além disso, as cachaças foram inscritas em prêmios nacionais. A cachaça prata, por exemplo, está entre os cinco finalistas do concurso da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e também está inscrita no concurso da Emater-MG. “É uma realização que traz novas perspectivas para nosso negócio”, comemora.
História
A trajetória do alambique começou na década de 1980, quando o pai de Aline, João Alves Pereira, decidiu buscar uma nova atividade após enfrentar prejuízos com o cultivo de hortaliças. Com o apoio do pai, Durval, ele construiu um alambique e iniciou a fabricação da bebida que, anos depois, se tornaria o principal legado produtivo da família. A homenagem ao patriarca veio no nome da cachaça: Durvalina.
“Ele teve o apoio do meu avô Durval, que era um degustador de cachaça. Os dois montaram o negócio e, como forma de homenagear o patriarca da família, a cachaça se chama Durvalina”, conta Aline.
Aos 74 anos, João continua acompanhando de perto as diferentes etapas da produção. Para a filha, trabalhar ao lado do pai representa não apenas uma oportunidade profissional, mas também uma forma de preservar uma história construída ao longo de quatro décadas.