Das passarelas parisienses dos anos 1980 ao tapete vermelho do Globo de Ouro em 2026, nos pés do ator Wagner Moura, o modelo Tabi prova que a influência animal na moda vai muito além das estampas de oncinha. Criado pelo estilista belga Martin Margiela a partir de uma referência tradicional japonesa, o calçado chama a atenção pelo formato que lembra a pata de um animal. A divisão frontal, que separa os dedos, reforça a semelhança e rendeu ao modelo apelidos como “pata de vaca” e “pata de camelo”.
A história do Tabi remonta a uma meia típica japonesa, usada desde o século 15 com um calçado de madeira de salto chamado Geta. Anos depois, ao conhecer a peça durante uma viagem, Margiela decidiu reinterpretá-la. Em 1988, em seu primeiro desfile, ele apresentou ao mundo sua versão: as Tabi Boots.
A ideia de Margiela era criar a impressão de que o pé estivesse descalço e apoiado sobre um salto. O formato dividido, pouco comum para o público ocidental da época, também dificultou a produção inicial. Apenas o artesão italiano Sr. Zagato aceitou fabricar os primeiros pares. Mais tarde, o modelo foi apresentado a Geert Bruloot, um dos pioneiros da moda belga, que enxergou seu potencial e ajudou a impulsioná-lo no mercado.
Nos últimos anos, o Tabi voltou a ganhar destaque com a adesão de celebridades como a cantora Dua Lipa, o ator Michael B. Jordan e a influenciadora Kylie Jenner. Em janeiro de 2026, Wagner Moura também apareceu usando o modelo no Globo de Ouro, ampliando a repercussão entre influenciadores e jovens da geração Z brasileira. Nas redes sociais, vídeos discutem a estética inusitada do calçado e trazem reviews de diferentes marcas que o reproduzem.
Com a nova onda de popularidade, a silhueta inspirada na pata animal extrapolou as tradicionais Tabi Boots e chegou a outros modelos, como tênis, sandálias e mocassins. Em 2021, a Reebok lançou, em parceria com a Maison Margiela, uma versão do clássico tênis com a característica divisão frontal do Tabi.