Tempestade com granizo e vendaval causa prejuízos de R$ 6,3 milhões em lavouras no Rio Grande do Sul

As fortes chuvas dos últimos dias, acompanhadas de granizo e vendavais em algumas regiões, voltaram a provocar danos significativos aos produtores rurais do Rio Grande do Sul. No município de Santiago, na região central do estado, um temporal com granizo na noite de sábado (26/9) atingiu lavouras de inverno e áreas recém-semeadas com milho. Já na madrugada desta terça-feira (29/9), produtores da Fronteira Oeste relataram prejuízos causados pelo vento.

Levantamento preliminar da Emater/RS em Santiago estima em R$ 6,3 milhões os prejuízos apenas nas lavouras de grãos. Segundo o laudo, elaborado com visitas a campo e relatos de agricultores, foram afetadas áreas de trigo, canola, milho e aveia branca. O relatório também registra danos em residências e estruturas rurais, como galpões e agroindústrias.

A canola concentra a maior parcela das perdas: mil hectares atingidos no município. No trigo, 250 hectares tiveram perdas médias de 90%; o milho teve 180 hectares afetados, com quebra estimada em 60%; e 50 hectares de aveia branca registraram perdas médias de 80%. Somadas, as quatro culturas tiveram cerca de 1,48 mil hectares danificados.

Em valores, os prejuízos com canola chegam a R$ 4,8 milhões; no trigo, R$ 832,5 mil; no milho, R$ 589 mil; e na aveia branca, R$ 80 mil. As contas utilizam os preços de mercado de 28 de setembro e ainda têm caráter inicial.

A situação também preocupa produtores de outras áreas. O agricultor Anestor Roque Lazzari, de São Borja (RS), relatou que um vendaval na madrugada derrubou um galpão usado para armazenar máquinas, sementes e insumos. “Antes não tinha acontecido dano nenhum. Só o excesso de chuva mesmo, daí era o dano para a lavoura, mas dessa vez foi no galpão”, afirmou. Lazzari cultiva 1,4 mil hectares, com cerca de 1,1 mil dedicados à canola e o restante ao trigo. Ele ainda não conseguiu dimensionar as perdas nas lavouras, mas demonstrou preocupação especialmente com a canola, que está em estágio avançado: “Ela debulha toda e cai”.

O excesso de umidade também aumenta a apreensão com a qualidade do trigo. Segundo Lazzari, a sequência de invernos chuvosos já pesava sobre a atividade. “Nós viemos de quatro anos de seca no verão e três de excesso de chuva no inverno. Então, a situação não está boa para o trigo”, disse. Diante disso, ele reduziu a área de trigo e ampliou a participação da canola, cultura de menor custo de implantação.

Outra produtora, Oneide Schmidt, de Coronel Barros (RS), relatou que toda sua produção de canola foi destruída por vendavais e granizo. Parte relevante da produção de trigo também foi atingida. Já Nicolas Ottoni, de Santo Antônio das Missões (RS), registrou danos em canola, aveia branca e milho. Os ventos derrubaram um galpão para o gado em sua propriedade de mil hectares, com prejuízo estimado em mais de R$ 3 milhões.

As avaliações ainda são preliminares. Em Santiago, a Emater destaca a necessidade de acompanhamento e monitoramento das lavouras para dimensionar os efeitos do episódio sobre a safra de inverno e o início da safra de verão 2026/27.

Deixe um comentário

Powered by Joinchat
Anunciar grátis