O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (21/8) que os pecuaristas do país reconhecem que precisam de uma pequena ajuda para baixar os preços das carnes. A declaração ocorreu após Trump anunciar, em sua rede social Truth Social, a ampliação da cota para importação de carne moída sem tarifa, medida que pode beneficiar produtores brasileiros.
“Queremos baixar os preços da carne bovina, vamos reduzi-los um pouco, e é isso que as pessoas querem. É isso que os eleitores querem, e é isso que eu quero”, afirmou Trump a jornalistas antes de embarcar no Air Force One para Myrtle Beach, na Carolina do Sul.
O republicano destacou o trabalho dos pecuaristas: “Os pecuaristas são ótimos, são a minha gente. Eu adoro os pecuaristas, eles fizeram um trabalho fantástico, mas admitem que precisamos de uma pequena ajuda para baixar os preços. Então, é isso que estamos fazendo. Estamos ouvindo isso”.
Em sua publicação, Trump informou que, pelos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a entrada de até 300 mil toneladas de produto destinado à produção de carne moída sem aplicação de tarifas sobre volumes que excedam as cotas atuais. “Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, escreveu. “Temos o compromisso de que essa carne será vendida a 25% abaixo dos valores atuais de mercado”, completou.
Trump não especificou quais países fornecerão a carne nem deu detalhes sobre as partes envolvidas. A medida se soma a outras iniciativas do governo americano para aumentar a oferta de carne bovina no mercado interno e conter a alta dos preços, como a expansão das importações da Argentina e a retomada dos embarques de gado vivo do México.
Após o anúncio, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que não recebeu, até o momento, informações oficiais sobre como a medida será implementada, nem detalhes sobre volumes, critérios ou países contemplados. “Uma eventual ampliação da cota tarifária pode beneficiar o Brasil”, afirmou a entidade em nota. A Abiec lembrou que o Brasil atualmente conta com uma cota compartilhada com outros fornecedores, que costuma ser preenchida logo nas primeiras semanas do ano. Após o esgotamento do volume, as exportações brasileiras seguem normalmente, mas passam a pagar a tarifa extra-cota de 26,4%. “Por isso, qualquer ampliação que contemple o Brasil pode representar uma melhora nas condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado norte-americano”, concluiu.