Os estudos de viabilidade que embasaram a adoção da mistura de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) “não identificaram impactos relevantes” nos veículos avaliados e foram realizados com metodologias definidas com representantes do governo e dos diferentes setores envolvidos, defendeu hoje a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), em nota.
A declaração foi divulgada após o Ministério Público Federal (MPF) ingressar com uma ação civil pública para barrar o aumento da mistura de etanol na gasolina. O aumento da mistura de 30% para 32% foi determinado no último dia 14 de julho pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
A Unica lembrou que os estudos, executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), avaliaram 16 veículos leves e 13 motocicletas representativos da frota nacional. Entre os automóveis, a amostra contemplou modelos fabricados entre 1994 e 2024, todos movidos exclusivamente a gasolina. Os ensaios analisaram parâmetros como desempenho, consumo, partida a frio, dirigibilidade, aceleração e funcionamento dos sistemas eletrônicos de gerenciamento do motor.
A Unica lembrou que a metodologia e os protocolos dos ensaios foram definidos de forma colegiada, com a participação de representantes do governo federal, da indústria automotiva, do segmento de motocicletas, da cadeia de combustíveis, da academia e de entidades do setor produtivo, por meio de reuniões e audiência pública.
Ainda segundo a Unica, a regulamentação da medida que elevou o teor de etanol anidro de 30% para 32% não admite “qualquer tolerância detectável pelos testes na fiscalização”. “Dessa forma, a gasolina comercializada deverá permanecer aderente à especificação técnica considerada nos estudos que subsidiaram a aprovação da medida, não havendo autorização para a adoção de percentuais superiores ao teor nominal estabelecido”, argumentou a Unica.
Na ação do MPF, o órgão afirmou que a especificação da gasolina E32 admitiria até 34% de etanol, o que não teria sido objeto de validação técnica específica. A entidade representantiva das indústrias de etanol do Centro-Sul afirmou em nota que “reitera sua confiança na robustez, na transparência e na consistência técnica do processo que fundamentou a decisão do CNPE”.
“Políticas públicas voltadas ao fortalecimento da segurança energética, à competitividade e à descarbonização dos transportes devem ser construídas com base em evidências científicas, previsibilidade e segurança regulatória”, acrescentou.
A Unica também voltou a defender a mistura de 32% de etanol na gasolina como uma “escolha econômica, energética e ambientalmente racional”. “A medida reduz a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo, mantém renda, investimentos e empregos na economia brasileira e amplia a participação de uma solução renovável na matriz de transportes, que já utiliza mistura de etanol na gasolina desde 1931”, sustentou.