Vendas de etanol hidratado caíram em maio, apesar da vantagem nas bombas

O volume de vendas de etanol hidratado – que compete diretamente com a gasolina nas bombas – ficou abaixo do registrado um ano atrás durante o mês de maio, mesmo com o produto apresentando ampla vantagem econômica nos principais centros de consumo do país. De acordo com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), as usinas do Centro-Sul venderam 1,772 bilhão de litros de etanol hidratado no mercado interno em maio, volume 2,8% inferior ao comercializado em maio de 2025. Na comparação com abril, houve crescimento de 1,5%.

Os dados de vendas de etanol anidro – misturado à gasolina – indicam que os motoristas ainda preferem o combustível fóssil. O volume de anidro vendido pelas usinas no mercado doméstico em maio cresceu 1,7% na comparação anual e 11,7% ante abril. Ao mesmo tempo, o etanol hidratado oferece vantagem econômica folgada: na última semana de maio, os preços do biocombustível nos postos ficaram em 63,7% em relação à gasolina na média Brasil e em 60,7% no estado de São Paulo, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados pela Unica.

Para boa parte da frota flex, o etanol hidratado tem rendimento equivalente a 70% da gasolina – quando o preço está abaixo desse patamar, é mais vantajoso abastecer com o biocombustível. Em veículos mais recentes, o rendimento chega a 75%. A vantagem não se restringe a São Paulo: no levantamento da ANP entre 24 e 30 de maio, os preços do etanol ficaram abaixo da paridade técnica em 66% dos municípios. Em todos os municípios pesquisados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o etanol hidratado estava economicamente mais vantajoso.

As exportações das usinas do Centro-Sul continuaram fracas em maio, com queda de 80,8% no volume comercializado, para 16,9 milhões de litros. No acumulado da safra 2026/27 (abril e maio), as vendas externas caíram 56%, para 64,67 milhões de litros.

A produção de etanol, por sua vez, continua em alta, sustentada pelo crescimento tanto a partir do milho quanto da cana. Apenas na segunda quinzena de maio, o volume produzido aumentou 4,56%, totalizando 2,13 bilhões de litros. O etanol de milho representou 19,41% da quantidade fabricada, com 413,20 milhões de litros, e crescimento de 12,38% na comparação com a mesma quinzena de 2025. No entanto, as usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul processaram na segunda quinzena de maio volume 13,08% menor na comparação anual, totalizando 41,55 milhões de toneladas – a primeira quinzena desta safra em que a moagem de cana foi menor. No acumulado da safra, o volume processado está 15,81% acima do registrado no mesmo período da temporada passada, com 144,71 milhões de toneladas. Até o fim da segunda quinzena de maio, havia três usinas a menos em operação que um ano atrás, com 250 unidades ativas.

A menor oferta de cana fez com que a quantidade total de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) obtida no período ficasse 12,13% abaixo da obtida na segunda quinzena de maio de 2025. O resultado foi parcialmente compensado pelo aumento da concentração de ATR na cana, que subiu 1,09%, para 125,87 kg por tonelada. As usinas continuaram aumentando a aposta na produção de etanol em detrimento do açúcar, o que fez a produção do adoçante recuar 25,62% na comparação anual, para 2,20 milhões de toneladas.

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