Yara alerta para risco de queda na produtividade agrícola com uso reduzido de fertilizantes

O CEO da Yara International, Svein Tore Holsether, afirmou que a redução na aplicação de fertilizantes nas lavouras – especialmente os nitrogenados – pode levar a uma queda na produtividade agrícola tanto no curto quanto no longo prazo. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas no complexo industrial de Sluiskil, na Holanda, maior unidade da companhia na Europa.

Desde o início da guerra no Oriente Médio, que interrompeu o fluxo de insumos para adubos e elevou os preços, as vendas de fertilizantes caíram nas principais regiões produtoras do planeta. “Esta é uma preocupação que eu tenho agora porque o fertilizante é um produto essencial. Metade da produção de alimentos no mundo é resultado direto desses insumos”, destacou Holsether.

O executivo também mencionou o impacto no Brasil, já que os solos do país precisam de volumes significativos de fertilizantes para se manterem produtivos. No segundo trimestre de 2026, a Yara registrou queda de 17% nos volumes vendidos em relação ao mesmo período do ano anterior, reflexo da retração nas Américas do Sul e do Norte. A receita, porém, subiu 12%, para US$ 4,4 bilhões, impulsionada pela alta nos preços.

A combinação de margens apertadas dos agricultores – com disparada dos insumos e preços baixos das commodities – levou a atrasos nas compras. A situação pode piorar com o El Niño, que se formou em julho e deve durar até o início de 2027, segundo previsões meteorológicas. Para Holsether, o clima pode ser ainda mais impactante que a questão dos fertilizantes neste ano.

O vice-presidente de agronomia e P&D da Yara, Luis Torres, alertou que a dificuldade de reposição de nutrientes no solo pode levar até dez anos para que a capacidade produtiva se recupere. Holsether defendeu que os governos apoiem os produtores para evitar riscos à disponibilidade e ao acesso financeiro aos alimentos.

O mercado de fertilizantes já vinha sendo afetado desde 2022, com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Agora, o fechamento do Estreito de Ormuz reduziu a oferta de gás natural e enxofre, insumos-chave. O preço do enxofre chegou a US$ 1.200 a tonelada. Holsether afirmou que a indústria precisa criar resiliência e que a Yara tem processos alternativos que minimizam o impacto.

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