Aprosoja Brasil destaca segurança jurídica como principal exigência do agro para candidatos à presidência em 2026

Em um cenário de incertezas e desafios para o setor agropecuário, a segurança jurídica surge como a demanda prioritária dos agricultores brasileiros para os candidatos à Presidência da República em 2026. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Lucas Costa Beber, que participou do Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira (10/8) em São Paulo.

Segundo Beber, além da segurança jurídica, a regularização fundiária e a criação de um fundo garantidor estão entre as principais reivindicações do setor. Esse fundo teria como objetivo oferecer “previsibilidade e condições de plantio, especialmente aos produtores que arrendam terras”, que enfrentam os maiores níveis de endividamento devido ao alto custo das terras, despesas com insumos e queda nos preços das commodities.

O presidente da Aprosoja Brasil destacou que cerca de 30% dos fertilizantes fosfatados necessários para o plantio de grãos em Mato Grosso ainda não foram adquiridos, e dificilmente serão a tempo para a semeadura prevista para o próximo mês, por causa dos preços elevados. “Para os arrendatários, fica praticamente inacessível o crédito, especialmente o de recursos controlados do Plano Safra”, afirmou.

Outra demanda urgente é o fortalecimento do seguro rural, especialmente em um ano marcado pela atuação do El Niño, fenômeno climático ativo desde junho, que já impacta a produtividade das lavouras.

Em relação à safra 2026/27, Beber afirmou que a área de plantio da soja “dificilmente irá crescer”, em meio à redução da capacidade de investimento dos agricultores. Empresas privadas estimam um aumento médio de 0,5 milhão de hectares, mas a Aprosoja é mais cética. “Houve uma redução de 50% na procura por crédito para custeio e comercialização, e de 80% para investimentos. Assim, dificilmente teremos aumento de área”, explicou.

Dados do Banco Central mostram que os desembolsos do crédito rural despencaram no primeiro mês da safra 2026/27, caindo de R$ 28,3 bilhões em julho de 2025 para apenas R$ 12,7 bilhões em julho de 2026. A queda foi puxada pelas operações de custeio, que passaram de R$ 19,9 bilhões para R$ 9,2 bilhões, e pelas linhas de investimento, que recuaram de R$ 4,1 bilhões para menos de R$ 1 bilhão.

Sobre os efeitos do El Niño, Beber disse que ainda é cedo para prever impactos na produtividade, e a entidade acompanhará as projeções oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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