As negociações para definir os nomes que ocuparão ministérios e cargos na área agrícola do próximo governo já começaram a ganhar força em Brasília. As definições, no entanto, dependerão de uma costura política mais ampla que o Executivo realizará, envolvendo negociações com o Congresso Nacional e com partidos do Centrão para garantir governabilidade a partir de 2027.
O PSD, partido que indicou os ministros da Agricultura na gestão atual, pode manter o comando da pasta, segundo fontes ouvidas pela reportagem. Apesar de o partido ter se dividido nas eleições, com candidatura própria de Ronaldo Caiado e posterior alinhamento de integrantes a Flávio Bolsonaro, não houve uma debandada geral ou apoio oficial ao candidato derrotado. Na visão de uma fonte, isso dá “ainda mais crédito” à sigla.
Nesse cenário, ganha força a possibilidade de permanência do atual ministro, André de Paula. Embora não seja ligado ao setor, ele tem a simpatia de líderes setoriais, que elogiam sua desenvoltura política e abertura ao diálogo. Seu perfil casaria com a necessidade do governo de apaziguamento com o agronegócio e recomposição política. O ministro também teria apoio da bancada do partido na Câmara e o aval do líder, deputado federal Antônio Brito (BA). Se ficar, André de Paula quer autonomia para trocar secretários e montar sua equipe.
Carlos Fávaro (PSD), antecessor de André de Paula, também tem se articulado para um retorno ao governo, mas fontes em Brasília veem poucas chances de ele retornar ao ministério. Lideranças apostam que ele poderá ser indicado para outro cargo, eventualmente na área agrícola, mas no segundo escalão.
Outros nomes também são cotados. Carlos Augustin, empresário do ramo de sementes e ex-assessor especial de Fávaro, iniciou uma campanha por apoio de entidades do setor para a pasta. O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) também tenta se cacifar para o cargo, reconhecido pela capacidade de diálogo com diferentes vertentes políticas. Já Fernanda Machiaveli, ministra do Desenvolvimento Agrário, ganhou forças tanto para permanecer no cargo quanto para uma eventual migração para o Ministério da Agricultura, embora a chance de ocorrer seja menor.
Por outro lado, Lula poderá acomodar petistas derrotados nas urnas, como Edegar Pretto, Paulo Pimenta e Patrus Ananias.