Com ajuste fiscal no horizonte, setor de cana pressiona Lula por subsídios e previsibilidade

O setor de cana-de-açúcar inicia o último trimestre de 2026 em estado de atenção. Segundo líderes do agronegócio, a expectativa em relação às próximas medidas do governo Luiz Inácio Lula da Silva é grande — tanto pela prometida agenda de ajuste fiscal quanto pela necessidade de renovação de subsídios que seguram a competitividade do etanol e do açúcar brasileiro no mercado internacional.

Em conversas com representantes do setor sucroenergético, o Palácio do Planalto sinalizou que pretende equilibrar as contas públicas sem descuidar de programas estratégicos para o agro. Açúcar e etanol, porém, aparecem entre os segmentos mais sensíveis ao aperto orçamentário, uma vez que dependem de linhas de crédito subsidiadas e de políticas de incentivo à bioenergia.

A apreensão se concentra em três frentes: definição do orçamento para o Plano Safra, manutenção de desonerações para o setor e o futuro do programa RenovaBio. Hoje, usinas e fornecedores de cana afirmam que qualquer corte brusco comprometeria o planejamento da próxima safra.

Para especialistas, o ajuste fiscal é necessário, mas precisa ser feito com o setor produtivo à mesa. “O Brasil vive um dilema: ao mesmo tempo que precisa reduzir despesas, não pode perder a competitividade internacional. O setor de cana é estratégico, especialmente com a transição energética”, avalia um analista que acompanha o segmento.

Até o fim do ano, o governo deve anunciar os parâmetros do pacote fiscal e a proposta orçamentária para o setor. De Brasília, a expectativa é clara: o setor quer ser ouvido antes das decisões.

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