Embora o Brasil seja um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, a forte dependência de fertilizantes importados – cerca de 85% do consumo nacional – aparece como um ponto de preocupação comum nos planos de governo dos candidatos à presidência que abordam o tema. As propostas apresentadas buscam reduzir a vulnerabilidade do país às oscilações internacionais de preços e ao risco de interrupções no fornecimento de insumos essenciais para a produção agropecuária.
Entre as soluções propostas estão a ampliação da produção nacional de fertilizantes, o estímulo à exploração de minerais como potássio e fosfato, a execução ou expansão de programas voltados ao setor, a diversificação de fornecedores internacionais, o incentivo aos bioinsumos e a redução de barreiras regulatórias e de importação.
Confira a seguir o que dizem os planos de governo dos 13 candidatos à presidência sobre a crise dos fertilizantes (em ordem alfabética):
Augusto Cury (Avante)
Não há menção específica aos fertilizantes no plano de governo.
Clariana Barão (DC)
Não há menção específica aos fertilizantes no plano de governo.
Edmilson Costa (PCB)
O plano de governo afirma que o “uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes químicos” promove um processo de esgotamento dos recursos naturais, contaminação dos solos, emissões de gases do efeito estufa e geração de efluentes líquidos contaminantes do meio ambiente.
Flávio Bolsonaro (PL)
O candidato vê o fornecimento de fertilizantes com impacto direto na segurança alimentar. A ideia apresentada por Flávio é reduzir a dependência externa. O plano de governo menciona que o Brasil importa a maior parte dos fertilizantes que usa para produzir. Isso faz com que, quando o preço dispara no exterior, os alimentos ficam mais caros. “Vamos apoiar a produção nacional de fertilizantes, com os minerais que o Brasil possui, como o potássio e o fosfato, para que a mesa do brasileiro não dependa do que acontece do outro lado do mundo”, promete o candidato.
Hertz Dias (PSTU)
Não há menção específica aos fertilizantes no plano de governo.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
A principal mensagem é a redução da dependência externa por meio da ampliação da produção nacional. “Os conflitos internacionais evidenciaram a importância da autossuficiência em fertilizantes. Por isso a Petrobras retomou a produção com 3 unidades em Sergipe, Bahia, Paraná e as obras da unidade do Mato Grosso do Sul foram reiniciadas. No próximo governo, seguiremos acelerando a produção nacional de fertilizantes”, promete. Lula também defende ampliar o fomento à produção de bioinsumos. Em outro momento, o plano de governo cita a intenção de transformar o Nordeste em polo de atração para plantas industriais eletrointensivas para produzir com baixa emissão, inclusive no segmento de fertilizantes.
Pablo Marçal (PRTB)
O plano de governo do candidato não está disponível no site do TSE.
Renan Santos (Missão)
O plano de governo destaca que o Brasil consome cerca de 45 milhões de toneladas de fertilizantes por ano e importa 85% desse volume, o que ele classifica como “exposição estratégica inaceitável”. Entre as propostas, estão executar e ampliar o Plano Nacional de Fertilizantes; sancionar e regulamentar o PL que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e o licenciamento acelerado para a exploração de fosfato, potássio e nitrogênio em território nacional; e construir, no Congresso, o marco da exploração mineral controlada em terras indígenas, “que abrigam reservas estratégicas de fosfato e potássio”. “A meta é simples: nenhuma colheita brasileira a partir de 2035 deve depender de fertilizante russo, bielorrusso ou marroquino”, defende o candidato.
Romeu Zema (Novo)
Entre as propostas para impulsionar a produtividade da agroindústria, o plano de governo cita “facilitar a produção nacional e a compra de fertilizantes e defensivos agrícolas de alta qualidade do mundo”. A ideia, segundo o candidato, é abrir a concorrência, facilitando importações e reduzindo a dependência externa de insumos, além de destravar projetos minerais nacionais para eliminar burocracias que dificultam a produção nacional.
Ronaldo Caiado (PSD)
O plano defende ampliar a competitividade do agronegócio por meio do aumento da oferta de fertilizantes e da redução de custos para os produtores. Para isso, propõe facilitar a produção nacional e a compra de fertilizantes no mercado internacional, ampliar a concorrência, reduzir barreiras para importação de insumos e destravar projetos de mineração voltados à produção doméstica de matérias-primas. A meta é executar o Plano Nacional de Fertilizantes, ampliando a produção interna de potássio e nitrogenados e diversificando fornecedores internacionais. Também faz parte do plano estruturar um programa nacional de bioinsumos para substituir parte dos insumos importados por soluções de base biológica.
Rui Costa Pimenta (PCO)
Não há menção específica aos fertilizantes no plano de governo.
Samara Martins (UP)
Não há menção específica aos fertilizantes no plano de governo.
Wilson Grassi (Democrata)
Não há menção específica aos fertilizantes no plano de governo.