Em Pernambuco, a produção de cafés especiais tem se expandido em diferentes regiões do Estado, impulsionada por características favoráveis de solo, clima e relevo. Municípios como Triunfo, Taquaritinga do Norte, Exu e Garanhuns se destacam nesse cenário.
Karoline Fonseca, que montou uma cafeteria em Triunfo em 2015 com o marido Gabriel Althoff, descobriu o universo dos cafés especiais durante a Semana Internacional do Café (SIC) em Belo Horizonte. Desde então, o casal passou a produzir e torrar o próprio café, utilizando sementes de variedades como arara, catuaí, catucaí, obatã e geisha, vindas da Serra do Caparaó. Triunfo, a 1.000 metros de altitude, oferece clima de montanha com variação de 30°C durante o dia a 12°C à noite, além de solo mineralizado, rochoso e argiloso, ideal para cafés especiais.
Karoline é uma das pioneiras no cultivo de café especial em Triunfo, que hoje conta com 20 produtores. Sua propriedade de dez hectares, dos quais 4,5 são dedicados ao café, produz grãos beneficiados, torrados e vendidos na cafeteria e pela internet sob a marca Café do Brejo. Em 2025, ela abriu a propriedade para turismo rural, destacando o cultivo irrigado e sombreado, em consórcio com banana, abacate e feijão guandu.
De acordo com dados do IBGE, Pernambuco plantou 993 hectares de café e deve colher 423 toneladas em 2026, contra 167 toneladas em 2020, quando a área plantada era de 466 hectares. Taquaritinga do Norte, conhecida como capital pernambucana do café, lidera a produção com 420 toneladas. A cidade está localizada no Agreste, a 900 metros de altitude, com clima ameno, relevo serrano e sistemas agroflorestais que enriquecem o terroir.
Avelar Rodrigues Pimentel cultiva 1,5 hectare de café em Exu, na Serra do Araripe. Depois de 24 anos em Brasília, voltou à região e começou a torrar café, atraindo clientes pelo aroma. Em 2019 iniciou o plantio, apoiado pelo Sebrae, e hoje vende sua produção nas feiras de agricultura familiar com a marca Pimentel Family Coffee. Ele planeja ampliar o cultivo com 500 mudas ainda este ano.
Em 2026, Triunfo e Taquaritinga do Norte protocolaram no INPI o pedido de indicação geográfica na modalidade denominação de origem para seus cafés, fruto de parceria entre Sebrae e Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe). A presidente da Adepe, Roberta Andrade, destaca que os cafés são únicos e alguns já premiados, e que a cadeia produtiva ganha tração com aumento da produção, turismo rural e gastronomia local. “Pernambuco tem qualidade e competitividade para ocupar cada vez mais espaço no cenário nacional dos cafés especiais”, afirma.
Os produtores participam da 26ª Fenearte (Feira Nacional de Negócios do Artesanato), em Olinda (PE), até domingo (19).