O governo federal deve definir nesta sexta-feira (26/6) a data de lançamento do Plano Safra 2026/27. A expectativa é que as linhas de crédito rural para pequenos, médios e grandes produtores sejam anunciadas na próxima terça-feira (30/6), provavelmente sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pelo menos uma das cerimônias. A dificuldade de conciliar agendas pode gerar uma situação inédita: a principal política agrícola do país pode ser anunciada sem o chefe do Poder Executivo.
O Plano Safra da agricultura empresarial, sob responsabilidade do Ministério da Agricultura, deve ser anunciado na manhã de terça-feira. Lula estará na reunião da Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai. Em sua ausência, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) deve liderar a cerimônia.
Há expectativa de que Lula retorne a Brasília a tempo de participar do lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar. Por isso, o anúncio está previsto para o fim da tarde, às 17h, no Palácio do Planalto, mas pode sofrer alterações devido à agenda do presidente. A equipe da Presidência tem enfrentado dificuldades para conciliar os compromissos.
O Plano Safra entra em vigor em 1º de julho e, tradicionalmente, é anunciado antes. Em situações pontuais, houve cerimônias após essa data. A indefinição se intensificou por conta de viagens já programadas para o presidente. Lula estará em Brasília na segunda-feira (29/6), mas o jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo atrapalhou a realização de qualquer agenda pública. Na terça-feira (30/06), ele viaja ao Paraguai para a reunião do Mercosul pela manhã. Na quarta-feira (1/7), embarca para o Nordeste, com compromissos no Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte até quinta-feira (2/7).
Ainda há possibilidade de o anúncio do Plano Safra ocorrer na sexta-feira (3/7), data limite para divulgação de programas dessa natureza conforme a lei eleitoral. A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) impede órgãos e entidades da administração pública de veicular publicidade institucional — incluindo anúncios de ações, obras e programas governamentais — a partir de 4 de julho de 2026, exatamente três meses antes do primeiro turno das eleições. Fonte do Ministério da Agricultura disse que o lançamento no dia 3 de julho ainda é a melhor alternativa, mesmo já dentro da vigência do plano.
Uma eventual ausência de Lula tira peso político e pode gerar críticas da oposição e do setor agropecuário empresarial, com quem a relação do governo não é boa. A situação também pode enfraquecer o ministro André de Paula (PSD), que ainda tenta estreitar relações com lideranças do agronegócio e demonstrar sua capacidade de articulação com a cúpula do governo em prol dos médios e grandes produtores.
A presença do presidente no anúncio do Plano Safra da agricultura familiar ainda não é certa, mas há um esforço para que ele consiga participar, devido à ligação política com esse público. O Ministério do Desenvolvimento Agrário planeja, novamente, realizar uma feira com agricultores familiares nas proximidades do Palácio do Planalto e lotar o Salão Nobre com pequenos produtores rurais e apoiadores do governo.
Lula não foi demandado durante a formulação do Plano Safra 2026/27. Em anos anteriores, definições pontuais tiveram que ser levadas ao crivo do presidente, principalmente para avalizar os gastos orçamentários previstos para a política. Dessa vez, o debate ficou em nível técnico e houve poucas reuniões ministeriais ampliadas sob coordenação da Casa Civil.