O Uruguai autorizou o Brasil a utilizar o excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China em 2026, conforme anunciou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após encontro com o presidente uruguaio Yamandú Orsi em Nova York. A medida, no entanto, depende de aprovação do governo chinês.
Lula agradeceu a autorização em postagem no X, destacando que o tema foi tratado na agenda bilateral, com foco em infraestrutura e comércio agrícola. A negociação vinha sendo discutida há meses, com proposta do Ministério da Agricultura brasileiro de troca de cotas com o Uruguai.
Segundo fontes, cerca de 80 mil toneladas poderiam ser repassadas ao Brasil, volume equivalente a aproximadamente um mês de embarques brasileiros para a China. A cota uruguaia para 2026 é de 324 mil toneladas, mas o país preencheu pouco mais de 30% do volume autorizado até agosto.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou a iniciativa positiva, mas alertou para o efeito limitado em 2026 devido ao tempo necessário para negociação e embarque. Para 2027, a medida pode ser mais relevante, já que a cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas pode se esgotar rapidamente.
O governo brasileiro não divulgou detalhes da implementação. A concretização do acordo depende do aval oficial da China, que já negou pedido semelhante do Brasil no início do ano. Analistas de mercado destacam que, sem o aceite chinês, a dinâmica de exportação não mudará.