Chocolate e queijo, dois ingredientes clássicos da gastronomia mundial, raramente são combinados em uma mesma preparação. Enquanto o doce é tradicionalmente associado às sobremesas, o queijo aparece em pratos salgados do café da manhã ao jantar. Mas a marca Cacau do Céu Chocolates, de Ilhéus (BA), decidiu quebrar essa barreira e criar barras que unem os dois sabores — com resultados que surpreenderam consumidores e especialistas.
Em agosto de 2026, a empresa conquistou duas medalhas no International Chocolate Awards, considerado o “Oscar do Chocolate”. O Chocolate com Queijo Canastra e Doce de Leite levou a prata na etapa Bean-to-Bar e Craft Chocolatier das Américas, enquanto o Chocolate Branco ao Leite com Queijo Azul ficou com o bronze.
Da ideia ao produto: anos de desenvolvimento
A empresária e chocolate maker Marcela Tavares conta que a ideia surgiu com um bombom de gorgonzola, que se tornou um dos carros-chefe da marca. No entanto, transformar a combinação em barras exigiu soluções técnicas. “Chocolate e umidade não combinam, então foi necessário liofilizar o queijo para incorporá-lo sem comprometer a qualidade”, explica.
A mudança da fábrica da Bahia para Santa Rita do Sapucaí (MG) permitiu acesso a equipamentos específicos e maior proximidade com a cultura mineira de queijos e doces de leite. “Depois que dominamos o processo, pensei: por que não unir o cacau baiano com o queijo e o doce de leite de Minas?”, lembra Marcela.
Experiência sensorial e equilíbrio
A proposta é provocar o paladar com contrastes. No chocolate com Canastra e Doce de Leite, a cremosidade e o dulçor aparecem primeiro, enquanto o queijo azul oferece notas mais intensas e aromáticas. “Não buscamos que um ingrediente se sobressaia. O equilíbrio é essencial”, afirma a empresária.
Além das medalhas de 2026, o Chocolate com Queijo Canastra e Doce de Leite já havia recebido prata no Academy Of Chocolate Awards 2025, na categoria “Barras de Chocolate Saborizadas”. Para Marcela, o reconhecimento mostra que a ideia pouco convencional conquistou espaço. “Algumas pessoas estranham quando ouvem pela primeira vez, mas isso muda quando experimentam”, conclui.