Disparada no preço do whey protein: entenda os motivos da alta e as perspectivas

O mercado de whey protein passou por uma transformação nos últimos meses, com preços que quase triplicaram nos Estados Unidos e reflexos diretos no Brasil. O aumento da demanda por produtos ricos em proteína, combinado com limitações na oferta de soro de leite e na capacidade de processamento industrial, explica essa escalada.

De acordo com a consultoria StoneX, a tonelada do WPC80 (concentrado de proteína do soro do leite a 80%) passou de cerca de US$ 10 mil no início de 2025 para US$ 28 mil em agosto de 2026. Já o WPI (isolado, com pelo menos 90% de proteína) subiu 47% no mesmo período, atingindo US$ 32 mil a tonelada. No Brasil, o quilo do WPC80 chegou a R$ 180 em setembro, alta de 24% em relação a junho, segundo levantamento da MilkPoint Mercado.

Três fatores por trás da alta

1. Demanda aquecida

O consumo de produtos com alto teor proteico cresceu significativamente após a pandemia de covid-19 e ganhou novo impulso com a popularização das canetas emagrecedoras. Como esses medicamentos reduzem o apetite, os consumidores passaram a buscar mais proteína para evitar a perda de massa muscular. “Para usar essas canetas, esse público está disposto a comprar mais proteína para não perder massa magra”, explica Juliana Torres Santiago, analista da StoneX. Hoje, o whey não está mais restrito a frequentadores de academia: aparece em barras, bebidas, snacks, chocolates, pães e até vinhos e cervejas. “Algumas pesquisas já apontam que pelo menos metade dos lares brasileiros possui algum indivíduo que utiliza suplementos”, afirma Filipe Bragança, CEO da Integralmedica.

2. Oferta limitada de soro de leite

O whey é produzido a partir do soro resultante da fabricação de queijos. No Brasil, a produção de queijos cresce entre 4% e 5% ao ano, enquanto o mercado de bebidas proteicas registra crescimento de dois dígitos. “Há um descompasso entre o crescimento da demanda por proteína concentrada de soro e o crescimento da disponibilidade de soro como subproduto da produção de queijo”, diz Marcel de Barros, CEO da Tirolez. Esse desequilíbrio gera pressão sobre os preços.

3. Capacidade de processamento insuficiente

Cerca de 70% do WPC80 e WPI consumidos no Brasil são importados. Embora o país produza mais de 35 bilhões de litros de leite por ano, a infraestrutura para processar o soro e transformá-lo em ingredientes de alto valor agregado ainda é limitada. “Para produzir o WPC, há um processo industrial caro. Quando o ‘boom’ começou, até as empresas se adaptarem leva tempo”, explica Juliana Santiago.

Perspectivas para o futuro

A valorização das proteínas já estimula novos investimentos. Empresas como Sooro Renner e Grupo Piracanjuba estão ampliando a capacidade de processamento. “Esses preços tendem a se acomodar nos próximos três anos com o aumento da oferta e a substituição por outras proteínas”, afirma Eduardo Serra, CEO da Sooro Renner. A tendência é de um equilíbrio gradual entre oferta e demanda, com preços ainda elevados, mas em patamares mais estáveis.

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